
Sobre as Novas Comunidades, Papa Bento XVI disse: “Os movimentos eclesiais e as novas comunidades são uma das novidades mais importantes suscitadas pelo Espírito Santo à Igreja pela atuação do Concílio Vaticano II.”
E o Papa Francisco: “Vocês são uma força missionária e uma presença profética que nos dá esperança para o futuro”. Mas foi São João Paulo II quem abriu as portas para o reconhecimento eclesial dessa nova inspiração do Espírito Santo.
Em todo tempo e em qualquer lugar, houve, na história da Igreja e da humanidade, um socorro de Deus. Isso é prova de que a vida divina está profundamente unida à vida humana, porque Deus nunca deixou de inspirar formas para atrair e consolar seu povo.
Assim aconteceu com tantas Ordens, Congregações, Institutos e Associações que nasceram em momentos tão difíceis da história humana. Basta lembrar dos franciscanos, vicentinos, as missionárias da caridade, até chegar nas Novas Comunidades.
São João Paulo II e as Novas Comunidades
Em 30 de maio de 1998, o Papa João Paulo II reuniu os movimentos eclesiais e as novas comunidades, na praça de São Pedro, para a Vigília de Pentecostes, e suas palavras ressoam até hoje como um documento do Espírito Santo em favor dessa novidade eclesial:
“Vós aqui presentes sois a prova palpável desta efusão do Espírito. Cada movimento difere do outro, mas todos estão unidos na mesma comunhão e para a mesma missão.
Alguns carismas suscitados pelo Espírito irrompem como vento impetuoso, que arrebata e atrai as pessoas para novos caminhos de empenho missionário ao serviço radical do Evangelho, proclamando sem temor as verdades da fé, acolhendo como dom o fluxo vivo da tradição e suscitando em cada um o ardente desejo da santidade.
Hoje, a todos vós reunidos aqui na Praça de São Pedro e a todos os cristãos, quero bradar: Abri-vos com docilidade aos dons do Espírito! Acolhei com gratidão e obediência os carismas que o Espírito não cessa de dispensar!
Não esqueçais que cada carisma é dado para o bem comum, isto é, em benefício de toda a Igreja!”
Essas sábias palavras do Papa trazem traços marcantes sobre as Novas Comunidades. Isso não significa que são melhores que outras expressões religiosas na Igreja, mas servem de parâmetro para caracterizá-las.
Portanto, palavras como: carisma próprio, comunhão, missão, serviço, radicalidade evangélica, obediência à Tradição e outras mais. A partir desses dados, preparamos 9 características das Novas Comunidades na Igreja.
#1. As Comunidades Novas possuem Carisma próprio
Primeiro que Carisma, para a vida consagrada, é o dom específico que a define e através da qual ela testemunha um aspecto de Jesus para a Igreja e para o mundo. Assim acontece nas novas Comunidades.
Por exemplo, A Comunidade Santos Anjos tem como carisma revelar ao mundo o Rosto do Cristo Acolhedor. Através desse carisma, a Comunidade entende sua identidade e missão.
E da mesma forma acontece com todas as demais comunidades. Cada uma tem seu carisma que, por mais que sejam parecidos, não são iguais. E vale salientar que o carisma acompanha a história da Igreja e do mundo.
Que tal conhecer a história da Comunidade Santos Anjos
#2. Consagração de leigos e casais
A vida consagrada, durante muito tempo, teve como referência padres e religiosas. No entanto, com as Novas Comunidades, começou um novo agrupamento de pessoas com um compromisso batismal mais forte e desejo de consagração a Deus.
As Novas Comunidades são compostas por solteiros, casais, celibatários e sacerdotes. Eles abraçam os conselhos evangélicos de pobreza, obediência e a castidade, se comprometem com a igreja e com o povo de Deus para viverem o carisma da Comunidade.
#3. Forte missionariedade e nova evangelização
A missão de qualquer batizado tem como núcleo a mensagem do evangelho. Da mesma forma, as novas comunidades trazem o querigma como centro de sua evangelização.
No entanto, elas desempenham atividades novas, criativas e, na maioria das vezes, alcançam um público que está fora da Igreja, promovendo novas experiências com Deus.
A evangelização está sempre adaptada à realidade, e a missão compreende o envio de pessoas a locais e realidades difíceis de alcançar. Há, também, entre as Novas Comunidades, uma forte inserção na realidade atual, sem deixar de observar o carisma.
#4. Amor e reverência à Igreja
As relações eclesiais têm como sustentáculo a comunhão. Assim acontece com todos os setores e hierarquias. No entanto, em seu governo, a Igreja conta com o Papa, os bispos, os sacerdotes e outros órgãos administrativos que cuidam da organização das dioceses.
Sendo assim, as Novas Comunidades fazem parte desse corpo que é a Igreja, cuja cabeça é o Cristo e elas buscam comunhão com os pastores onde elas estão presentes, procuram sempre o diálogo e a colaboração mútua de acordo com a capacidade de cada uma.
#5.Vivência comunitária e fraterna: aliança e vida
A vivência comunitária tem dois aspectos: a comunidade de vida e de aliança. Não é obrigatória a presença das duas em uma nova comunidade, mas todas têm a vida fraterna.
A comunidade de vida é formada pelos membros que convivem no mesmo espaço, ou seja, eles moram juntos, compartilham bens; assumem um compromisso mais forte de irmãos e irmãs e assumem missões da comunidade em outros locais: cidades e países.
A comunidade de aliança é formada por membros que se consagram, vivem o carisma da nova comunidade, a vida fraterna, mas não moram no interior das casas comunitárias. Eles colaboram com a missão e a evangelização da comunidade onde estão presentes.
#6. Chamados ao abandono na Providência Divina
Com certeza, todo cristão é chamado a experimentar a Providência Divina, uma vez que ela ordena todas as coisas para o nosso bem, seja a nossa salvação até a nossa manutenção.
Porém, as novas comunidades contam com a Providência constantemente para tudo. Seus membros depositam suas vidas e os projetos de evangelização aos cuidados divinos e grandes são os frutos que alcançam.
#7. Governo comum e organizado
Toda casa precisa de ordem para se manter, assim também acontece nas Novas Comunidades. Elas são organizadas a partir de Estatutos civis e religiosos, possuem um governo local e o outro Institucional, conselhos, setores administrativos, economato e outros.
As Novas Comunidades respondem por seus atos tanto diante da Igreja e seus pastores como civilmente. O governo de uma comunidade também é eletivo, ou seja, conta com a escolha de seus membros e com o acompanhamento do bispo local.
#8. Vivência do celibato consagrado
O celibato é um traço característico do sacerdócio e da vida religiosa. No entanto, ele pode ser vivido na sociedade por pessoas que se sentem chamadas, fazem o acompanhamento devido junto à autoridade eclesial e realizam o compromisso com a Igreja.
Dessa forma acontece com as novas comunidades. Elas também têm vocações ao celibato consagrado, porque existem pessoas que se sentem chamados a consagrar suas vidas inteiramente a Deus através de um carisma e abraçam, então, o celibato em suas vidas.
#9.Forte protagonismo dos leigos
Um novo protagonismo do leigo vem acontecendo desde o Concílio Vaticano II, atendendo ao apelo do Espírito Santo para o novo tempo que a sociedade estava vivendo e, portanto, a Igreja precisava atualizar a mensagem do evangelho.
Assim, as novas comunidades trazem uma forte presença leiga entre eles desde a evangelização até a organização do governo. Os leigos tomam decisões, coordenam iniciativas evangelizadoras, rezam e pregam para o povo de Deus.
Em comunhão com o clero, seja o bispo ou o sacerdote, eles realizam o que lhes é próprio na missão, estão perto do povo de Deus, casais, jovens, crianças e falam a linguagem de cada faixa etária, com o anúncio do evangelho.
Dessa forma, as Novas Comunidades, unidas à Igreja, contribuem para a difusão do evangelho hoje, mas a maior responsabilidade que carregam é a vivência do carisma que Cristo lhes confiou para a santificação dos homens e mulheres deste tempo.
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