
Em primeiro lugar, a família é de fato o grande projeto de Deus. E a Igreja, como uma boa e amável mãe, nos ajuda com suas instruções, porque, amando muito essa instituição, reserva um lugar de destaque para a família nos documentos da Igreja.
Desde a origem, Nosso Senhor deixa claro o seu desejo em tornar o homem criado à sua imagem e semelhança um ser que se derrama para o outro e não se fecha em si mesmo.
O homem ganha uma auxiliar, companheira e alguém que seja de sua mesma essência para que ele não estivesse só. Assim, Deus-Pai profere uma ordem de vida:
“Crecei-vos e multiplicai-vos..”.
E desta forma nasce a família!
Porque ler sobre a família nos Documentos da Igreja?
Ao longo de toda a história, atacou-se das mais diversas formas esse projeto divino, a família. Sobretudo, são muitas as ideologias que tentam afastar a família daquilo que é a sua essência.
Desta maneira, é preciso que observem atentamente aquilo que Deus ensina por meio de Sua Santa Igreja. Pois, é somente à luz da fé que as famílias podem caminhar segura.
Confira abaixo o que a Igreja fala sobre família em seus documentos e que você precisa saber.
A família nos Documentos da Igreja: Amoris Laetitia
Quando lemos a “Amoris Laetitia” percebemos como é fundamental que todos conheçam sobre a família nos documentos da Igreja.
A questão central desta exortação é a vocação das famílias, sobretudo falando sobre o amor no matrimônio, a educação dos filhos e a importância da espiritualidade entre os casais no ambiente familiar.
Esta exortação apostólica denota bem que a igreja se regozija com a alegria do homem. Como da mesma forma, também sente seus desafios e sofrimentos em todas as suas realidades:
“A alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da igreja.”
Desde o seu início, a “Amoris Laetitia” ressalta que os cônjuges são esculturas vivas do criador e representação do amor trinitário de Deus.
Além disso, este é um documento de suma importância, porque é uma exortação pós sinodal, isto significa que ele foi anunciado pelo Papa Francisco de forma extraordinária no Ano Jubilar da Misericórdia em 2016.
Amparado por reflexões sobre a família e seus desafios mais recentes, a exortação encoraja a lembrar as famílias de seu imensurável valor para Deus e seu importante papel na sociedade.
Santíssima Trindade e a família nos Documentos da Igreja
Assim, na “Amoris Laetitia”, o Papa Francisco faz questão de nos recordar a ternura de Deus que ama a Família:
“O nosso Deus, no seu mistério mais íntimo, não é solidão, mas uma família, dado que tem em Si mesmo paternidade, filiação e a essência da família, que é o amor. Este amor, na família divina, é o Espírito Santo.”
A exortação também demonstra que a união de um casal deve ser tão íntima como é a Santíssima Trindade, não somente de forma corpórea, mas sobretudo em um movimento de amor, que se derrama para o outro física e espiritualmente.
Do mesmo modo, como é belo ver que um documento da Igreja nos recorda a alegria de ter filhos, citando o salmista que diz:
“Ohai: os filhos são uma bênção do Senhor; o fruto das entranhas, uma verdadeira dádiva.
Como flechas nas mãos de um guerreiro, assim são os filhos nascidos na juventude.
Feliz o homem que deles encheu a sua aljava!”
(Sl 127/1226).
Mas nem tudo são flores, o Papa ainda demonstra muita preocupação com os desafios encontrados pelas famílias na atualidade , tudo isso citando as situações que mais afligem e causam a desunião familiar:
- O individualismo;
- A queda demográfica;
- Os filhos fora do sacramento do matrimônio;
- Afetividade sem qualquer limitação;
- A falta de habitação, dentre outras.
Infelizmente, essas e outras questões adentram nas realidades familiares e afastam a família daquilo que é projeto divino.
As famílias encontram luz nos documentos da Igreja
Mesmo diante dos maiores desafios que a sociedade enfrenta, há uma saída para as famílias por meio dos documentos da Igreja!
Por isso o Papa Francisco oferece na “Amoris Laetitia” um plano, para que seja colocado em prática em prol destas realidades. Assim, unindo-se à igreja, as famílias encontram luz e direcionamentos para enfrentar na fé os seus maiores embates.
Toda a riqueza desta exortação é repleta de conselhos, reflexões e propostas práticas para todos os membros da família. Tudo isso com o objetivo de fomentar o amor no seio familiar, para que busquemos a cura da inveja, a prática da amabilidade, a paciência, o perdão e a confiança.
Familiaris consortio: imagem da família neste documento da Igreja
A igreja reconhece sua missão de proclamar a todos os desígnios de Deus sobre o matrimônio e sobre a família, por isso, com veemência, o Papa João Paulo II, em 1981, lhes escreve esta exortação.
Ciente de que o futuro e garantia da sociedade passa pela família, já na primeira parte da exortação, relembra a todos que se esforça continuamente para caminhar junto à família e observar de perto as suas lutas e desafios atuais.
O papa relembra às famílias nesse documento a sua missão de ser uma “comunidade de vida e de amor” e que “a essência e os deveres da família são definidos pelo amor”. (O SÃO PAULO, 11/08/2020).
A família recebe a missão de guardar, revelar e transmitir o amor qual modelo do amor de Cristo a Sua Igreja e de Deus pela humanidade.
Sua Santidade convoca todos os cônjuges a viver autenticamente o amor de Jesus através do matrimônio, na sua indissolubilidade e verdade, condenando a poligamia e reafirmando o valor do sacramento.
“O dom do sacramento é, ao mesmo tempo, vocação e dever dos esposos cristãos, para que permaneçam fiéis um ao outro para sempre, para além de todas as provas e dificuldades, em generosa obediência à santa vontade do Senhor: “O que Deus uniu, não o separe o homem”. (JOÃO PAULO II, 1981, p.14).
“Quando os cônjuges, mediante o recurso à contracepção, separam estes dois significados que Deus Criador inscreveu no ser do homem e da mulher e no dinamismo da sua comunhão sexual, comportam-se como ‘árbitros’ do plano divino e ‘manipulam’ e aviltam a sexualidade humana, e com ela a própria pessoa e a do cônjuge, alterando desse modo o valor da doação total”. (JOÃO PAULO II, 1981, p. 23).
Os membros da Família e as situações irregulares
O documento “Familiaris consortio” fala ainda sobre o papel e importância de cada membro possível da família, os anciãos, crianças, homens e mulheres, cada um com suas particularidades, com deveres e com direitos que precisam ser atendidos.
O Papa ressalta a educação dos filhos como primeira missão da família, através da transmissão do amor verdadeiro. É a família quem deve ser a educadora da moral, sexualidade e castidade da criança;
A exortação conta ainda com direcionamentos para as pastorais familiares reafirmando a necessidade de se trabalhar pela família com mais afinco, tendo em vista que é este núcleo domiciliar o grande responsável pelo futuro da igreja e da sociedade.
Assim, João Paulo II adverte e exorta a padres, bispos, leigos e até mesmo profissionais do meio secular a disporem de uma atenção maior para as causas da família.
Por fim, ele conclui a exortação mais uma vez deixando claro a posição da Igreja quanto aos casamentos livres, de experiência, congêneres e outras realidades relacionadas ao alertar para os danos que tais situações trazem para a vida familiar.
E ainda, sobre os casais divorciados e de segunda união, o documento declara:
“A Igreja, contudo, reafirma a sua práxis, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir à comunhão eucarística os divorciados que contraíram nova união”.
Humanae Vitae
Este, é talvez um dos documentos que mais lemos e discutimos nos grupos de famílias católicas e entre aqueles que trabalham com a evangelização familiar.
A carta do Papa Paulo VI é bastante esclarecedora e traz reflexões práticas sobre a regulação da natalidade diante da importante missão de transmissão da vida.
Desde o início, esta carta traz argumentos bem assertivos, com o objetivo de abrir os olhos para a sobriedade e um melhor discernimento sobre a missão da transmissão da vida e regulação da natalidade.
A princípio, encontramos uma importante recordação da beleza de colaborar com a criação de Deus.
Assim, o Papa aponta as características do autêntico amor conjugal: humano, total, fiel e fecundo. Características estas que nos mostram os caminhos por onde os cônjuges devem seguir e basear as suas decisões e ações.
A “Humanae Vitae” também indica, com clareza, o que deve ser uma paternidade responsável e no que devemos nos basear para essa responsabilidade: como as condições biológicas dos pais bem como as realidade em torno da família como por exemplo questões econômicas e sociais.
A paternidade responsável é um compromisso com Deus e com realidades concretas da vida do casal, tendo em vista sempre a finalidade do ato matrimonial.
Desta forma, a encíclica mostra que a paternidade responsável não se trata de ato ilegítimo, desde que não seja um ato egoísta e distante daquilo que é a essência de uma união conjugal.
Contracepção e vias ilícitas
A “Humanae Vitae” é uma grande encíclica que fala da família nos documentos da Igreja. Encontramos nela, mais uma vez, o valor forte sobre a vida, e a posição da igreja sobre as vias ilícitas de regulação dos nascimentos, tais como o aborto, a esterilização temporária e perpétua bem como toda ação que intercepte propositalmente a concepção.
Sobre os contraceptivos, a encíclica é bem clara: todo contraceptivo fere o projeto divino e a condição sã do ser humano. Desta maneira, convidam-se os esposos a optarem pelas formas lícitas de regulação, que visem o salvamento de vidas.
Podemos encontrar também neste documento as consequências graves dos métodos de regulação artificial da natalidade como:
- Infidelidade conjugal;
- Degradação da moralidade;
- Falta de respeito à dignidade da mulher;
- Perda da intimidade conjugal;
- Abertura das portas para autoridades públicas no que seria de inteira responsabilidade dos cônjuges.
Gratissimam Sane: São João Paulo II às famílias
São João Paulo II muitas vezes dirigiu o seu afeto e sua atenção para a família nos documentos da Igreja. Tanto que escreve uma carta especialmente sobre a sua preocupação com a célula mater da sociedade:
“na oração, o ‘eu’ humano percebe mais facilmente a profundidade do seu ser pessoa. Isto vale também para a família, que não é apenas a ‘célula’ fundamental da sociedade, mas possui mesmo uma própria e peculiar subjetividade. Esta obtém a sua primeira e fundamental confirmação, e consolida-se, quando os membros da família se encontram na invocação comum: ‘Pai nosso’. A oração reforça a estabilidade e a solidez espiritual da família, ajudando a fazer com que esta participe da ‘fortaleza’ de Deus”. (CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II ÀS FAMÍLIAS, 1994)
Com isso, João Paulo II recorda uma verdade um tanto óbvia, mas tão facilmente ignorada ou esquecida por nós. Esposo, esposa ou filhos, ninguém pode preencher o espaço vazio que existe dentro de cada pessoa, somente Deus pode fazê-lo.
Sabemos que a família é sempre um auxílio e um caminho para o encontro com Cristo. Mas isso não pode ser motivo para instrumentalizar um membro dela. Muito pelo contrário, pois o cristão descobre o próprio Cristo em cada um de seus familiares, em especial, em seu esposo ou esposa.
Mistério da Encarnação: Deus quis fazer parte de uma família
Ainda falando sobre a família nos Documentos da Igreja, a carta “Gratissimam sane”, de João Paulo II, nos recorda que Cristo Jesus entrou no mundo e iniciou o projeto de salvação da humanidade, fazendo parte de uma família humana:
“O Filho unigênito, consubstancial ao Pai, ‘Deus de Deus, Luz da Luz’, entrou na história dos homens através da família: Pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-Se de certo modo a cada homem. Trabalhou com mãos humanas, (…) amou com um coração humano” (CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II ÀS FAMÍLIAS, 1994).
Não podemos esquecer que Jesus teve uma mãe e um pai terreno, que lhe ensinou os primeiros passos e a viver humanamente neste mundo. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado. Se é certo que Cristo revela plenamente o homem a si mesmo, a começar da família onde Ele escolheu nascer e crescer:
“Sabe-se que o “Redentor passou grande parte da sua vida no recanto escondido de Nazaré, “submisso” (Lc 2, 51) como filho do homem a Maria, sua Mãe, e a José, o carpinteiro.” (ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, 11/08/2020).”
Esta sua obediência filial demonstrada a São José, já é a primeira manifestação daquela obediência ao Pai, que assim permaneceu até à morte de cruz (Cf. Fil2, 8), por meio da qual redimiu o mundo.
Por fim…
E para você, como foi essa viagem, passando por tudo o que diz respeito a família nos documentos da Igreja?
Então, que possamos pedir à Sagrada Família, ícone e modelo familiar, que nos ajude a caminhar em nossa própria missão, colocando em prática tudo o que nos ensina e nos recomenda a Igreja e os papas.
Que Maria, Mãe de todos os cristãos; São José, Guarda do Redentor e Jesus, O Filho de Deus, proteja e abençoe cada família. Amém!
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Excelente