
Quando recebemos a unção do Sacramento da Confirmação, recebemos o envio da Igreja na consumação da graça batismal. Somos vinculados de modo mais intenso à Igreja, unidos mais solidamente a Jesus Cristo e enriquecidos de uma força especial do Espírito Santo para sermos verdadeiras testemunhas do Evangelho (CIC, 1285). E assim, como soldados de Cristo, somos enviados como cordeiros no meio de lobos (Lc 10, 3) para desbravar os confins da terra a fim de anunciar a Boa Nova.
Os Escritos Sagrados, particularmente o Evangelho de Lucas, nos mostram a pressa de Deus manifestada em toda a história da Salvação. Na noite do nascimento de Jesus, o Anjo disse aos pastores: “não temais, eis que vos anuncio uma Boa Nova que será alegria para todo o povo” (Lc 2, 10). E então eles” foram com grande pressa” (Lc 2, 16). Ao receber o anúncio do Anjo Gabriel, Maria foi às pressas encontrar com sua prima Isabel (Lc 1, 39). Na passagem dos discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35) o evangelista nos relata que tão logo descobriram que Jesus estava vivo, “Levantaram-se na mesma hora (ou seja, com pressa, imediatamente… não deixaram para depois) e voltaram para Jerusalém”.
Existe pressa para a difusão do Reino. E nós, como discípulos missionários que somos ou pretendemos ser, não podemos deixar as coisas sempre para depois, para mais tarde, priorizando o que não é de interesse de Deus.
O terreno da verdadeira missão é sempre o “deserto”. Não podemos ser os evangelizadores do descanso, da preguiça e do lazer sem medida. É preciso que estejamos de pé para servir, para aguentar o tranco, revestindo-nos da “armadura de Deus” para que assim possamos diariamente resistir às ciladas do Demônio (Ef 6, 11).
É bom que tenhamos em mente as regras do Reino. A preguiça sim é a verdadeira inimiga da perfeição missionária. Deus tem pressa de nos salvar, tem pressa de nos comunicar Seu Amor.
Essa história de que a pressa é inimiga da perfeição não se aplica aos autênticos cristãos que ardentemente desejam anunciar Jesus Cristo. Quem teve uma experiência pessoal e profunda com o Senhor não pode ser lento, nem medroso e nem muito calculista. Tem que ter pressa, aprender a renunciar e se acostumar com o desconforto. É preciso ter pressa e dar o melhor de si para a construção do Reino.
Ao receber o anúncio do Anjo, Maria perturbou-se com as palavras e disse: “Como se fará isso se não conheço homem algum?” (Lc 1, 34). Não foi o caso de Nossa Senhora, mas quanto à nós, o receio de assumirmos a Palavra de Deus por inteiro e nos dedicarmos ao serviço da Evangelização, tem muito haver com o medo do que vai acontecer, do que vamos perder, medo do compromisso, do que não está programado. Devemos estar sempre atentos ao chamado de Deus na certeza de que é o Espírito Santo que vai realizar a Obra. E se é obra de Deus, eis-me aqui! Por isso não devemos ter medo.
Na Bíblia podemos encontrar (dizem) 380 vezes o Senhor nos dizendo: “Não tenham medo”. E, sem medo, vamos dar a Deus o melhor de nós, porque Ele mesmo nos dá o exemplo: o melhor vinho, a ovelha sem defeito, a melhor túnica, um bezerro gordo, um anel no dedo, a melhor sandália e o Céu pessoalmente preparado por Jesus para cada um de nós. Deus nos deu o melhor que foi o seu Filho único Jesus Cristo. E Jesus, por sua vez, nos deu a Si mesmo e não nos deixou como memória coisas, mas a Si próprio na Eucaristia. Também o Espírito Santo nos deu o melhor: a Sua presença santificadora e consoladora.
E você, vai continuar dando a sua sobra? A sobra do tempo, da oração, do amor, da partilha, do serviço, do dinheiro e de suas posses?
É tempo de escolher: a missão em favor do Reino ou a “boa” rede da preguiça e da realização das coisas de qualquer maneira. Escolha a melhor parte dando o melhor de si para Deus, para a Igreja, para os irmãos e para a sua Comunidade. Coragem!
Paulo R. B. Diniz
Fundador e Moderador Geral da Comunidade SANTOS ANJOS