
“A esperança não engana…”, diz São Paulo. A seguir, Ele mesmo nos explica que o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5,1-6). Se é assim, então comecemos o ano novo cheios do dom de Deus que habita em nosso coração.
De fato, todo ano novo desperta diversos sentimentos, entre eles alegrias e incertezas. Sem falar nos compromissos que nos acompanham e que fazem parte da vida: trabalho, família, comunidade de fé, e tudo nos pede ânimo.
Então, vamos nos alimentar de bons sentimentos para continuar nossa jornada, na certeza de que não estamos sozinhos, temos nossa família, amigos, intercessores e entre nós circula o amor fiel de Deus. Acolha neste post palavras de esperança para 2023.
Que Cristo seja a esperança do seu novo ano
“Cristo Jesus é nossa esperança!” (1Tm 1,1)
Recordemos que a esperança é uma virtude teologal, mas o que significa isso? São muitos os dons de Deus para a vida cristã; cada um tem uma finalidade e as virtudes teologais são o fundamento da vida com Deus, porque falam sobre a fé, esperança e a caridade.
E sobre a virtude da esperança, o Catecismo da Igreja (nº 1817) nos diz que:
“A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos o Reino dos céus e a vida eterna como nossa felicidade, pondo toda a nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos, não nas nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo.”
Então, como cristãos, temos em nosso favor uma força sobrenatural que se mistura com nossa natureza humana e nos capacita para enfrentarmos as realidades da vida. E o que encontramos no ano novo, senão a vida em movimento com suas bênçãos e surpresas!
Portanto, vamos nos revestir de esperança como nos propõe a Palavra de Deus: em Cristo, estamos “sempre prontos a responder a todo aquele que nos perguntar a razão da nossa esperança” (1Pd 3,15) e coloquemos 2023 aos pés do Senhor da Esperança.
No ano novo, alimente a oração!
Quando um soldado vai para a guerra, ele não sabe o que vai acontecer, mas vai bem revestido, com orientações, armas e, acima de tudo, convicto, motivado a defender seu país. Afinal, sem motivação real não se chega a lugar algum e logo se desanima.
A vida não é uma guerra, nem o ano novo um campo de batalha, mas não sabemos o que eles nos reservam. Porém, se temos esperança, trazemos a arma certa. No entanto, ela não é um sentimento, nem uma estória bonita e sim uma postura cristã.
Para isso, é preciso a oração, o encontro com Deus, o diálogo sincero e verdadeiro, sem ilusões ou muitas palavras para alimentar a esperança: “Revestidos da couraça da fé e da caridade e do capacete da esperança da salvação” (1Ts 5,8).
E na oração, encontramos os amigos do Espírito Santo: A Virgem Maria, São José, São Miguel e tantos santos; eles se unem a nós; nos levantam com a força de Deus e nos enviam para a grande missão de viver ao lado dos nossos, em busca do Reino de Deus.
Com a Igreja, rumo a um novo ano!
A Igreja, como mãe da fé, nos ensina a caminhar com esperança. Ela também nos abriga, conforta e orienta sobre como testemunhar a vida cristã no dia a dia e nos presenteia com irmãos, em uma única comunidade de crentes que rezam uns pelos outros.
E começar um ano novo não é trilhar um caminho totalmente desconhecido, mas há sempre desafios na sociedade que nos questionam como cristãos. Por isso, o Papa Francisco diz que a esperança é “como lançar a âncora até a outra margem” e agarrar-se à corda.
Ou seja, a esperança nos coloca sob tensão; a vida do cristão é “em tensão por”. Se um cristão perder esta perspectiva, a sua vida se torna estática e as coisas que não se movem, se corrompem. Logo, a esperança nos impulsiona a plantarmos o reino da justiça e da paz.
Na prática, segundo o Papa, podem existir sofrimentos e problemas, mas “você tem o penhor” de tal promessa, que é o Espírito Santo que “nos espera” e “trabalha” já a partir deste momento, logo não somos estáticos, mas missionários da esperança em 2023.
Os amigos como companhias no caminho
“Que o Deus da esperança vos cumule de alegria e de paz na fé” (Rm 15,13).
Essa mensagem de São Paulo está presente em muitos momentos da liturgia, porque precisamos da oração e companhia uns dos outros a cada ano que passa.
Uma comunidade de fé é fundamental para assegurar um testemunho cristão autêntico, uma vez que o amor de Deus se manifesta em plenitude em comunidade. É assim na Trindade, na Sagrada Família e na vida dos apóstolos da Ressurreição até Pentecostes.
Logo, a esperança se fortalece na comunidade de fé, o lugar onde rezamos, cativamos irmãos, educamos nossa família e nos formamos como filhos e servos de Deus. Então, não há melhor lugar para terminar e começar um ano civil do que a comunidade de irmãos.
Portanto, reúna sua família e renove a virtude da esperança em comunidade, porque, como nos disse o Papa Francisco:
“Ano Novo começa com Deus, nos braços da Mãe e deitado numa manjedoura, que nos encoraja com ternura…”
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