
“Uma visão na liberdade do Espírito Santo”.
(Texto do livro editado pela FRATER em 2008)
1. Fundamentos
Na contemplação da Santíssima Trindade como a comunidade perfeita, mistério de um só Deus em Três Pessoas, e na visão inspiradora das primeiras comunidades cristãs, antes de tudo devemos procurar a Glória de nosso Deus e Senhor, o bem da Igreja, a nossa própria santificação e a expansão do Reino de Cristo no mundo.
O Livro dos Atos dos Apóstolos que apresenta em detalhes a narração de Pentecostes (At 2, 1-47) nos deixa pistas bem concretas a respeito daquela primeira comunidade cristã: suas virtudes, regras, reuniões e seus compromissos de oração e partilha, que são descritas como as “virtudes dos primeiros cristãos”; no jeito como viviam, como rezavam, como exerciam o apostolado e como despertavam nos outros o desejo de também estarem inseridos nessa comunidade – vejam como se amam!, diziam os observadores.
Para que tenhamos um bom entendimento a respeito das Novas Comunidades, é preciso contemplar a simplicidade das primeiras comunidades. “Unidos de coração, frequentavam todos os dias o Templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação” (At 2, 46-47). Essa era a realidade de vida na primeira comunidade cristã que nos possibilita compreender, no contexto daquela época, o papel de Maria junto com os Apóstolos do Senhor, a presença dos demais discípulos e mesmo toda a comunidade que constava de umas cento e vinte pessoas (At 1, 15), que certamente não moravam na mesma casa, mas viviam a autêntica fraternidade.
O Cenáculo era perene e a experiência do Espírito Santo que tiveram juntos na “sala de cima”, no dia de Pentecostes, foi decisiva para moldar o projeto de Deus. Como origem da própria Igreja, o Cenáculo é, sem dúvida, a incubadora das Novas Comunidades. As “águas puras” de Pentecostes que produziram a experiência comunitária do Espírito Santo no Cenáculo com Maria, e o modo como viviam os primeiros cristãos, tornam-se para todos nós, como Igreja desse novo milênio, uma questão séria de autenticidade do chamado e sobrevivência vocacional; uma questão de crescimento ou de desaparecimento. Um compromisso de responder à altura do convite do Senhor ou assumir o risco de fracassar pela infidelidade ao projeto original. Precisamos deixar de lado as ideias e os empreendimentos que nada têm haver com o “novo” de Deus e persistir com firmeza de coração, caminhando decididamente na busca do essencial, de nossa autenticidade, porque lá está o fundamento, nossa origem, nossa espiritualidade, nosso testemunho, nossa missão. Deus nos mostra o que quer para esses tempos; o que Ele espera de cada um de nós e das nossas Comunidades.
2. Considerações Gerais – Identidade
Sabemos por experiência da Palavra de Deus que o Senhor não precisa de nomenclaturas para definir suas ações e até mesmo a Si próprio. Nós é que necessitamos de sinais, nomes, imagens e rótulos para nos comunicarmos; definições que nos deem uma referência para que os outros possam nos identificar sem mesmo nos conhecer a fundo. Quando Moisés perguntou ao Senhor qual era o seu Nome, a resposta foi decisiva e desconcertante: “EU SOU AQUELE QUE SOU. E ajuntou: Eis como responderás aos israelitas: (Aquele que se chama) EU SOU, envia-me junto de vós” (Cf. Ex 3, 13-14). De fato, foi desconcertante para Moisés e ainda hoje o é para nós; achamos simples demais. A verdade é que gostamos de muitos bordados onde a essência simples da originalidade do Espírito é o que realmente deve prevalecer. Precisamos dos nomes porque tentam caracterizar e interligar as realidades às suas próprias definições. No entanto, é preciso permanecer bem alerta para que o “Novo de Deus” que se manifesta no meio de nós por ação do Espírito Santo não seja desfigurado pelo “velho do homem”.
Ao longo de todos esses anos buscou-se, mais intensamente no Brasil, caracterizar as Novas Comunidades na tentativa de defini-las através de nomes que possam relacioná-las com o modo como vivem e em que condições e circunstâncias realizam a vida fraterna em comunidade. Com esse pensamento ficou então entendido, a nosso ver não muito correto, que o Espírito Santo havia dado dois tipos de comunidades: as comunidades de vida, formada por aqueles que deixaram tudo ou quase tudo para viver juntos um carisma, consagrando-se a Deus para que no transbordar dessa experiência carismática original, pudessem realizar, de diversas maneiras e partilhando o dia-a-dia juntos, o Anúncio de Jesus Cristo para expansão do Reino de Deus na terra. Como segunda opção, as comunidades de aliança, formadas por pessoas que também como nas comunidades de vida se consagram a Deus para viverem o carisma específico de uma Comunidade, obedientes aos seus Estatutos, Regra e Constituições, na alegre observância dos conselhos evangélicos que são praticados na abrangência particular do estado de vida de cada um. Nas Comunidades de Aliança, a consagração prioriza estar no mundo secular no exercício das mais diversas profissões, dando testemunho e anunciando Jesus Cristo nos locais e realidades onde essa condição venha a favorecer, além é claro, de todo o apostolado, missões, programas de evangelização e obras de promoção humana que são desenvolvidos também em perfeita harmonia com as Dioceses. Buscando, no constante esforço da comunhão eclesial, a estreita colaboração com os Bispos, Presbíteros e Diáconos, nas paróquias e comunidades onde essas Novas Comunidades estão presentes.
Portanto, o que vemos como diferença básica é o modo como uma e outra dão sua resposta à vida consagrada; nada mais que isso. Em síntese, o que é visível e difere uma da outra é apenas o modo de responder o chamado de Deus. A consagração é a mesma e a “Profissão do Compromisso” deve ser a mesma; apenas a resposta será dada de uma forma diferente, na maravilhosa e criativa ação do Espírito que deseja fazer sempre “novas todas as coisas” (Cf. Ap 21, 5), mesmo que algumas pessoas nem sempre concordem com isso. Querer valorizar uma expressão e depreciar outra é desfigurar o Projeto de Deus; é fazer cair neve na “primavera” da Igreja.
No início, e infelizmente ainda hoje, existem comunidades que fazem “distinção” das pessoas que se consagram para viver uma “vida de aliança”. Valorizam a Consagração de “vida”, como se essa fosse mais importante para a Igreja, depreciando toda a graça que o Senhor concebeu como resposta para os tempos em que vivemos, esquecendo-se que a consagração é sempre de vida, porque Deus não aceita nada pela metade. Muitas Comunidades não conseguem ter uma consagração de vida secular com a qualidade requerida por Deus e esperada pela Igreja, porque no passado depreciaram as pessoas que viviam essa realidade. Algumas comunidades definiam erradamente o compromisso de “aliança” como um grupo de participantes comprometidos com a Obra para dar suporte financeiro, ajuda no apostolado e apoio às missões dos que viviam em Comunidade de Vida, porque se consideravam “superiores” aos outros. É preciso corrigir essas distorções e reagir com firmeza, buscando dar uma formação intensa e devidamente apropriada para que as pessoas que se sintam atraídas pelo carisma possam ser acolhidas pela Comunidade e, assim, percorrendo um caminho de formação vocacional bem preparado, tenham a oportunidade de responder a Deus como Comunidade de Vida Secular, consagrando sua vida a Deus na profunda experiência do carisma da Comunidade na qual foram chamadas a se entregar de todo o coração e numa só alma, para viverem a radicalidade do Evangelho de Cristo.
A comunidade fraterna como experiência do Espírito é para todos nós consagrados, o fundamento do Anúncio da Boa Nova de Deus para a humanidade, na qual todos estão comprometidos a fim de mostrar à sociedade moderna, com suas marcas de consumismo e individualismo, que é possível em Cristo, vivermos como irmãos e irmãs que têm um Deus que é nosso Pai.
3. Como vivem as Comunidades de Aliança
As Comunidades de Aliança são famílias constituídas de pessoas unidas em fraternidade através dos vínculos de consagração que se realizam pela “Profissão de Compromissos ou Promessas” (votos) em diferentes estados de vida, buscando juntos e na fé Católica, viverem seus Estatutos e Constituições com espírito de obediência, pobreza e castidade. Homens e mulheres, jovens e adultos; como casais, pessoas casadas, viúvas, celibatários, sacerdotes, diáconos permanentes e pessoas ainda por definir seu estado de vida, chamados a viver de uma maneira peculiar o Evangelho de Cristo e anunciá-lo com a força e a originalidade do carisma da Comunidade.
Os membros dessas Comunidades são convocados por Deus para viver o seguimento de Jesus Cristo em meio aos trabalhos profissionais e compromissos familiares, estabelecendo a vocação também como a grande prioridade de vida, de maneira que todas as atividades e responsabilidades sejam direcionadas segundo o carisma da Comunidade, uma vez que a consagração tem a dimensão de todo o ser, na compreensão de toda a vida da pessoa. Os membros dessas Comunidades experimentam o jeito particular dessa fraternidade, entrelaçando-se mutuamente no amoroso e fraterno convívio de cada dia, vivendo o comum e a partilha nas reuniões, na oração, nas missões e na vida. Residem em casas separadas cada um com sua família, ou em casas comunitárias, ou ainda em núcleos residenciais particulares, reunindo-se em Casas da Comunidade para orar, celebrar e evangelizar juntos, sem que, no entanto, abandonem a moção original que os compromete viver como consagrados inseridos no mundo secular.
Interessante observar que nas Comunidades de Vida Secular cada consagrado em seu particular estado de vida é mergulhado pelo Espírito na missão de assumir o seguimento de Jesus Cristo no dia-a-dia em contato direto com as realidades seculares, que por vezes, pela firmeza do testemunho de fidelidade a Deus e pela investidura dos princípios de vida da Comunidade, toma as cores de um verdadeiro martírio, trazendo consequências às vezes dolorosas, pelo fato de que a verdade de Deus jamais poderá ser negociada. Expondo sua identidade cristã no cotidiano de suas tarefas profissionais e responsabilidades familiares, cada consagrado é capaz de produzir, como missão, um constante e santo conflito dos padrões de conduta do Evangelho com a linguagem do mundo, permitindo em locais e circunstâncias onde exista declarada rejeição a Deus, oportunizar, no poder do Espírito, a realização de um eficaz Anúncio do Reino de Cristo.
No entanto, para que essa consagração de vida secular tenha luzes de credibilidade missionária, é preciso que as pessoas consagradas tenham conduta irrepreensível e busquem a excelência técnica em suas atividades profissionais, conscientizando-se ainda que devem assumir as responsabilidades comunitárias com profundo entusiasmo e zelo apostólico, sem que haja, na linguagem do Evangelho, um comprometimento de suas responsabilidades familiares.
4. Comunhão de Bens Materiais
A vida fraterna é inspirada pelo dom da primeira comunidade cristã, onde a comunhão de bens que se realizava é também hoje realizada, pelo Espírito, através da partilha dos irmãos, segundo a necessidade de cada um (At 2, 44-45). Sim porque se desejamos viver verdadeiramente o seguimento de Jesus como consequência de nossa consagração a Deus, precisamos do exercício da pobreza como oferta da partilha.
O que se verifica na maioria das autênticas Comunidades de Aliança é que seus membros participam efetivamente da comunhão de bens doando em favor da Obra, como compromisso professado, uma boa parte percentual do ganho pessoal de cada mês, deixando ainda o coração sempre aberto para as muitas necessidades da Comunidade que é, sem dúvida, de todos, na responsabilidade também de todos.
5. Admissão de membros, Caminho Vocacional e Formação
Para que uma pessoa possa assumir uma vida de fraternidade e professar seu Compromisso como Consagrado, as Comunidades mantêm como porta de entrada um itinerário de formação chamado Caminho Vocacional.
Aqueles que buscam a vida consagrada numa Comunidade Nova, sentindo-se atraídos pelo carisma, são convidados a participarem de um Encontro Vocacional que é realizado normalmente a cada ano como condição de acesso ao Caminho de Formação. Esse encontro que pode ocorrer num final de semana, tem como direção compartilhar momentos de oração e convívio, objetivando fazer a primeira apresentação da Comunidade, enfocando um pouco de sua história, sua identidade, seu carisma e seu compromisso missionário. Ao fim desse encontro, em função de conversas e entrevistas, pessoas são convidadas a iniciarem um tempo de formação que pode ser chamado de início vocacional ou simplesmente vocacional, que deve durar de seis meses a um ano, caracterizando-se pela realização de encontros mensais.
Por conta de suas características bem particulares, principalmente quanto à limitação de tempo que se verifica no dia-a-dia das pessoas que estudam, trabalham, cuidam e convivem com suas famílias, as Comunidades de Aliança devem estabelecer critérios e procedimentos de admissão bem claros e muito bem planejados para que as pessoas tenham uma formação adequada, na abrangência das diversas etapas e dos aspectos essenciais, dando ao candidato a oportunidade para que haja amadurecimento e crescimento em sua decisão vocacional, estimulando-o na inserção da vida em comunidade.
Assim, esse caminho deverá ser estruturado em etapas que não podem ser de curta duração. Se as ações de formação e convivência são limitadas pelas oportunidades dos encontros e frequência das reuniões, a experiência mostra que os módulos de formação do caminho vocacional devem ter uma duração maior do que normalmente ocorre nas comunidades de vida, onde as pessoas vivem juntas e têm facilidades para se encontrar, dispondo de horários quase sempre mais flexíveis. Dessa maneira a sugestão seria um tempo nunca inferior a quatro anos até que o candidato chegue a primeira consagração na Comunidade, podendo-se ter nesse programa um Postulantado de um a dois anos e um discipulado de dois anos, de modo a permitir:
- Comprovar e complementar o nível de sua formação cristã e básica da espiritualidade, visando maior intimidade com Deus, unidade com a Igreja e comunhão com os irmãos;
- Permitir aos formadores conhecer mais a fundo as aptidões vocacionais dos formandos;
- Proporcionar o desenvolvimento humano do candidato, sua maturidade afetiva e seu compromisso missionário, iniciando-o nas atividades da Comunidade;
- Proporcionar o favorecimento da transição gradual para uma Compreenda e comece a viver mais intensamente as exigências da vida na Comunidade;
- Exercite os conselhos evangélicos, na dimensão própria do estado de vida de cada um, aprofundando-se no seguimento de Cristo por meio da oração e íntima união com Ele;
- Desenvolva sua vivência comunitária, sabendo que dela procederá toda sua atividade evangelizadora e, ao mesmo tempo, possa se aprofundar na espiritualidade do carisma, assimilando o espírito missionário próprio da Comunidade;
- Alcance a capacidade necessária que permita fazer uma opção consciente para que em público possa professar seus compromissos e consagrar-se na Comunidade.
A formação tem por objetivo confirmar o candidato na verdadeira existência da vocação dentro do carisma e obter a realização progressiva e madura da vocação para alcançar a identificação com Cristo. A formação estará compreendendo sempre os cenários da formação pessoal e comunitária, nas dimensões humana, cristã e no carisma da Comunidade. Na prática, os alicerces do planejamento e da condução do processo formativo devem englobar as particularidades das diversas etapas do Caminho Vocacional, ajustando-se às necessidades das pessoas, levando em conta o estado de vida de cada um e as características próprias de cada região onde a Comunidade tiver estabelecido sua atividade missionária.
A Comunidade de Vida Secular, ou como quiserem de aliança, pelo compromisso particular de viver a consagração em meio à formação profissional e ao trabalho que se realiza pela prestação de serviços fora da Comunidade, tem a necessidade de um programa de formação concebido de maneira a compatibilizar a rotina das reuniões e ações formativas, que se dão principalmente através dos encontros com o formador pessoal e das reuniões dos grupos das diversas etapas do caminho vocacional, com os limites impostos pela disponibilidade de tempo de cada pessoa, que estará comprometida com sua família e com o trabalho fora da Comunidade. Por conta disso torna-se necessário que os responsáveis e coordenadores preocupem-se em planejar a formação otimizando o tempo e a freqüência das reuniões e dos encontros semanais, bem como os retiros que são importantes dentro do processo formativo.
Nas Comunidades de Vida Secular, muito mais que em outras realidades, não se pode improvisar um calendário. É preciso definir anualmente um plano geral de atividades para o ano todo, incluindo reuniões, convivências, festas e comemorações, retiros, cursos, consagração e as linhas que definem o programa de formação para que os membros da Comunidade possam se programar ao longo do ano, compatibilizando seus compromissos familiares e profissionais.
A dimensão da formação deve incluir, particularmente, o acompanhamento de candidatos ao sacerdócio, de ministros ordenados que desejem se consagrar, pessoas vocacionadas à consagração celibatária e ainda casais, noivos e namorados, para que o estado de vida seja discernido no seio da Comunidade e a consumação se realize sempre que possível após a Consagração na Comunidade.
6. Conclusões
Assim, quando dizemos que somos consagrados de uma Comunidade Nova não temos a necessidade de acrescentar mais nada ao seu nome, porque “vida” e “aliança” não conseguem definir corretamente uma comunidade. O maravilhoso espectro do projeto comunitário que Deus concebeu para os nossos tempos vai muito, além disso, na realização livre do Espírito. O conceito e as definições que fundamentam a especificidade de nossa vocação estão claramente formalizados no Livro dos Atos e nas Cartas Apostólicas, principalmente nas de Pedro e de Paulo. Somos “apenas” uma Comunidade Nova, simples e magnífica, nascida do amoroso Coração de “EU SOU”; nem mais nem menos.
Paulo Roberto B. Diniz
Fundador e Moderador Geral
Comunidade Católica Santos Anjos
Fevereiro/2008
Bibliografia:
- Bíblia Sagrada (Editora AVE MARIA);
- CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA;
- CHRISTIFIDELES LAICI – Exortação Apostólica do Santo Papa João Paulo II, sobre a Vocação e Missão dos Leigos na Igreja e no Mundo (Edições Paulinas);
- VITA CONSECRATA – Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Santo Papa João Paulo II, sobre a Vida Consagrada e sua Missão na Igreja e no Mundo (Edições Paulinas);
- A VIDA FRATERNA EM COMUNIDADE – “Congregavit nos in Christi Amor” – Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica (Edições Paulinas);
- DICIONÁRIO TEOLÓGICO DA VIDA CONSAGRADA (Editora PAULUS);
REGRA E CONSTITUIÇÕES da Comunidade Católica SANTOS ANJOS.