
O diálogo é um dos pilares fundamentais no contexto familiar, levando em conta também que a família constitui o primeiro núcleo social do indivíduo. Mas há muitas mudanças nos tempos atuais que refletem no diálogo entre as gerações.
Como assim? Você, com certeza, já ouviu essa frase: “Não se vive mais como antigamente”. Isso diz respeito às enormes mudanças sofridas pela sociedade principalmente com o crescimento do mundo digital.
Antes as pessoas conversavam mais, olhavam nos olhos, davam atenção aos pais, avós etc., mas hoje é tudo muito diferente! E agora? Como cultivar o diálogo entre gerações diante dessa realidade? Veja algumas dicas aqui!
Mudanças de tempo significam mudanças no diálogo entre gerações
Vamos entender melhor o conceito de “geração”! Essa palavra surge para definir pessoas nascidas em determinados contextos históricos, marcados por diferentes épocas, que refletem padrões culturais, comportamentais e principalmente de consumo.
Estudos científicos classificam a mudança entre gerações da seguinte forma:
- A geração Baby Boomers, nascidos entre 1940 a 1959, no período pós-guerra, no Brasil, no contexto da repressão e ditadura militar que refletem em comportamentos revolucionários ancorados em arte, música e cinema.
- Já a geração X engloba os nascidos de 1960 a 1979, que passam a existir em um contexto de transição política e hegemonia capitalista que refletem em comportamentos de consumo mais materialistas, competitivos e individualistas.
- E quando falamos da geração Y, também conhecida como Millennials ou geração da internet, compreende-se os nascidos de 1980 a 1994. Essa geração iniciou uma transformação nas formas de consumo, pois nasceram no contexto da globalização, no período de surgimento e popularização da internet.
- A geração Z, dos nascidos em 1995 a 2010, são os nativos digitais. Essa geração é a primeira a nascer em um contexto histórico totalmente online e móvel, com múltiplas realidades e forte presença nas redes sociais.
Veja quantas mudanças aconteceram em tão pouco tempo. Se antes a comunicação demorava a chegar, hoje ela é relâmpago e em tempo real; são muitas informações, opiniões, verdades e mentiras que influenciam na construção do filho(a) de Deus hoje.
Por isso, para o diálogo entre gerações, é importante conhecer o contexto, porque os jovens de hoje, filhos e filhas, alunos, alunas e futuros profissionais do mercado de trabalho têm uma mente bem diferente do que nossos pais e avós há apenas 20 anos.
Benefícios do diálogo entre gerações
O Papa Francisco nos fala bem sobre a mudança de época até chegarmos ao diálogo entre gerações:
“Vivemos em um mundo diferente. E os cristãos não podem ignorá-lo ou esperar que as coisas voltem ao mundo que existia antes. Não é mais hora de lutar contra o tempo, contra a realidade. Além disso, a mudança de época que vivemos já tem profundas repercussões em uma religião, como a cristã, que se interessa pela boa vida de todos. Em todos os tempos os cristãos organizam sua própria presença na história para que a vida de todos possa florescer graças ao encontro com Jesus.”
Em um outro momento, falando para diversos líderes religiosos, o Papa Francisco disse que somente o diálogo constrói a paz. Dessa forma, não é possível abrir mão do diálogo, mas encontrar meios de cultivá-lo.
Sendo assim, a primeira atitude é se apropriar dos benefícios do diálogo entre gerações. Vejo o que o diálogo causa de forma bem breve:
- Vínculos mais fortes – o diálogo no dia a dia fortalece os laços afetivos dentro do seu lar.
- Ajuda na resolução de conflitos – toda família tem conflitos, mas o diálogo quebra barreiras e abre caminhos para soluções simples a curto e longo prazo.
- Transmite valores e tradições – é no diálogo que os pais, avós, familiares passam suas histórias e valores; são capazes de contar suas conquistas com humildade, verdade e emoção, fortalecendo o respeito mútuo e a identidade da família humana.
- Cria memórias afetivas duradouras – o diálogo entre gerações é uma ótima forma de produzir memórias saudáveis, duradouras, engraçadas para as crianças e os jovens. E acredite: eles gostam de ouvir uma boa história.
Por causa de tantos benefícios, vale a pena apostar no diálogo entre gerações!
Dicas de como cultivar o diálogo entre gerações
Mas não significa que é fácil dialogar com tantas realidades diferentes, especialmente se você não é alguém adepto ao mundo digital, uma comunidade viva que agrega todos e principalmente os jovens!
Mas vamos acolher a realidade e investir no diálogo entre gerações como algo possível, necessário e com dicas que estão ao nosso alcance.
Leve em conta sua família, seus filhos ou netos e grupo de amigos que fazem parte do convívio social deles. Lembre-se também de como é bom ouvir as pessoas e aprender com suas experiências.
5 dicas para um bom diálogo entre gerações:
- Perguntas simples
Comece com perguntas simples como: Como foi seu dia? O que você aprendeu hoje? Existe algo que você gostaria de conversar ou compartilhar? O que fez você se sentir feliz ou triste hoje? Existe algo que você gostaria de aprender ou tentar fazer?
- Escuta ativa
Exercite uma conversa ativa, ou seja, com atenção e o olhar voltado para a pessoa. O diálogo entre gerações pede atenção, aproximação física e emocional. Evite distrações e ofereça seu tempo e espaço, mesmo que seja por alguns minutos.
- Evite oferecer muitos aconselhamentos
O diálogo entre gerações exige desarmamento de posições! Ou seja, não se aproxime para conversar com conceitos já estabelecidos, sermões ou lições de moral, mas acolha a opinião e construa o diálogo a partir do próprio exemplo.
- Fuja do excesso de interpretação
Cada pessoa tem um jeito de se expressar, algumas são diretas e objetivas, outras são mais subjetivas. E é importante que os responsáveis levem em conta essas particularidades para não analisar as falas dos filhos de forma tendenciosa ou generalizada.
Esse ponto nos ajuda a não taxar o diálogo entre gerações como um ataque pessoal contra você. Às vezes, é apenas uma reprodução de alguém que o jovem admira, mas que com diálogo é possível desfazer o mal-entendido.
- Pratique a comunicação não violenta
Por fim, a comunicação não violenta tem como princípio o desenvolvimento da linguagem e escuta ativa e empática, que permite a conexão entre as pessoas que se relacionam em diferentes gerações ou realidades sociais.
Acontece que o diálogo entre gerações envolve muita participação dos adultos e a capacidade de se deixarem questionar pelos mais novos! Assim, a comunicação deixa de ser automatizada e passa a ser percebida como um instrumento de aproximação.
Da família para a Comunidade!
A comunidade de fé é uma extensão para a família, um lugar de apoio, força e aprendizado ao longo da jornada da vida. Da mesma forma que o diálogo entre gerações acontece dentro de casa, ela se estende no convívio social e na comunidade de fé, até às vezes com mais facilidade.
Logo, é importante e é dever do pais apresentar aos filhos um lugar onde eles possam ser acolhidos, escutados sem preconceitos ou interferências. Isso ajuda a desenvolver a confiança nas pessoas e consequentemente no próprio Deus.
Na Comunidade de fé, é fundamental que existam canais de comunicação entre os jovens através de ferramentas atuais, dinâmicas e atrativas para chamar a atenção da geração altamente conectada, mas, ao mesmo tempo, sedenta de felicidade.
Por fim, façamos do diálogo sempre o primeiro passo para acolher, escutar, amar e recomeçar. Como nos ensinou Jesus em todo evangelho, comece com uma pergunta do tipo: “O que queres que eu te faça…”