
“A família é o lugar do encontro, da partilha, da saída de si mesmo para acolher o outro e estar junto dele. É o primeiro lugar onde se aprende a amar. Nunca o esqueçais: a família é o primeiro lugar onde se aprende a amar.”
Assim, o Papa Francisco nos fala sobre a primeira instituição criada por Deus e que sustenta a sociedade. E é com a ajuda do Santo Padre que vamos trilhar este post que preparamos sobre Família: um chamado à santidade.
Mas o que é a família?
“Quando Jesus chama, nomeadamente ao matrimónio e à família, pede para olharmos em frente, e sempre nos precede no caminho, sempre nos precede no amor e no serviço.”
Portanto, com essas palavras, o Papa Francisco sinaliza o que é família: matrimônio, amor e serviço. Ou seja, sacramento (matrimônio); vocação (amor) e graça (serviço).
Enquanto sacramento, a família nasceu de um desejo divino, imitando a própria Trindade e onde o Filho de Deus quis nascer. Portanto, é uma instituição divina, celebrada pelos noivos e abençoada por Deus; é um sacramento, sinal visível da presença de Deus entre nós.
No entanto, como vocação, abraçar o matrimônio requer amor, mas não como um sentimento inconstante, porém como uma decisão: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias, na fartura e na penúria, com filhos e com netos, enfim.
Porém, tudo isso nos coloca a serviço: a família é um lugar de serviço gratuito, por isso “graça”, porque não escolhemos, mas nos foi dada de graça, como dom de Deus.
Logo, a família tem muitas qualidades que nos ensinam a viver em sociedade, e quem não tem a experiência familiar está mais vulnerável ao fechamento, ao egoísmo, ao individualismo e, como nos diz o Papa, perde o DNA próprio da família que é o acolhimento e o espírito de serviço.
Que tal: rezar a Quaresma de São Miguel em família?
Santidade se aprende na família
Às vezes, imaginamos que a santidade é como um vaso chinês: impecável, sem rachaduras, sem falhas na pintura, todo perfeito, mas não é verdade. Ao contrário, a pedagogia da santidade, segundo o evangelho, tem outro caminho.
Porém, se procurarmos um conceito sobre santidade na bíblia, vamos encontrar uma passagem assim:
“Portanto, sede santos, assim como vosso Pai celeste é santo”(cf.Mt. 5, 48).
No entanto, qual o conceito de santidade em Deus?
Ora, será que essa santidade significa não errar nunca; está sempre rezando; não se chatear; sorrir sempre, e tantos outros requisitos? Se compararmos o comportamento divino com santidade, encontraremos duas palavras recorrentes: amor e perdão; perdão e amor.
Portanto, santidade é sinônimo de amor-perdão. E não há escola maior que a família para isso. Até a vida religiosa sabe que a vida comunitária é o lugar da santificação diária, exatamente por causa dos relacionamentos.
Logo, santidade-família-relacionamento-amor-perdão andam de mãos dadas! Vamos aprofundar as relações familiares colocando, diante dos olhos, o grande amor de Deus por nós.
Entre na escola da santidade
“…não há nada mais animador para os filhos do que ver os seus pais viverem o casamento e a família como uma missão, com fidelidade e paciência, apesar das dificuldades, horas tristes e provações.” (Papa Francisco)
De fato, assim como a família é o berço do amor, ela é o lugar do aprendizado. Portanto, já entendemos que a santidade anda de mãos dadas com o amor-perdão-relacionamento, e tudo isso temos no lar. Logo, se queremos ser santos hoje, comecemos a exercitar as virtudes dentro de casa.
Mas quais são as virtudes que nos santificam? Muitas, todavia a mais urgente é a paciência! O Papa nos diz que:
“Há momentos em que é preciso assumir as resistências, os fechamentos, as incompreensões que provêm do coração humano e, com a graça de Cristo, transformá-los em acolhimento do outro, em amor gratuito.”
Ou seja, a família enfrenta diversas situações inesperadas, que não estavam previstas, mas vieram ao nosso encontro no caminho. São situações do coração humano: temperamento, doenças, ansiedade, desânimo, educação dos filhos, a velhice, entre outros.
Com também, fora do coração: o desemprego, a violência, a insegurança alimentar, a pandemia, problemas financeiros, os vícios, o excesso de trabalho, entre outros. Então, há uma lista enorme de problemas que nos imploram a paciência.
No entanto, se soubermos transformar as dificuldades em acolhimento ao outro, como diz o Papa, ganharemos mais que um diploma na escola da família, deixaremos um legado que não se destrói: a santidade.
Casados e consagrados
“A Igreja está convosco; antes, a Igreja está em vós! Com efeito, a Igreja nasceu de uma família, a família de Nazaré, e é composta principalmente por famílias.” (Papa Francisco)
Mas é possível viver este caminho de santidade sozinhos, isolados como família, ou talvez fugindo dos perigos da sociedade para preservar os filhos? Com certeza, não! E é reconfortante saber que não estamos sozinhos em nosso desejo de santidade.
A fim de dar às famílias esperança, o Espírito Santo inspirou uma nova forma de vida, em que os casais consagram suas vidas a Deus, através de um carisma, e se colocam a serviço de outras famílias.
Assim, nasceu, do Coração de Deus, a Comunidade Santos Anjos, com a missão de acolher famílias, jovens, celibatários e sacerdotes a fim de que juntos possam refletir o Rosto do Cristo Acolhedor para o mundo inteiro.
“E existimos na Igreja e para a Igreja para levarmos as pessoas ao encontro de Jesus, acolhendo-as em nosso coração de modo que possam restaurar sua relação com Deus, com a Igreja, com as pessoas e com a criação.”
Como o Papa sugere, a ação ‘acolhedora’ é marcante na Comunidade Santos Anjos, desde a graça divina até os desafios impostos pela vida diária. E a partilha de vida entre os irmãos, torna o caminho de santidade possível.
Agora,
Por tudo que sabemos sobre a família e a santidade, vale a pena acreditar, então rezemos juntos por nossas famílias:
“Jesus, Maria e José, em Vós contemplamos o esplendor do verdadeiro amor, confiantes, a Vós nos consagramos.
Sagrada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração, autênticas escolas do Evangelho e pequenas igrejas domésticas.
Sagrada Família de Nazaré, que nunca mais haja nas famílias episódios de violência, de fechamento e divisão; e quem tiver sido ferido ou escandalizado seja rapidamente consolado e curado.
Sagrada Família de Nazaré, fazei que todos nos tornemos conscientes do carácter sagrado e inviolável da família, da sua beleza no projecto de Deus.
Jesus, Maria e José, ouvi-nos e acolhei a nossa súplica. Amém.”
(Papa Francisco, Amoris Laetitia, 325)
Que tal continuar a leitura: Espiritualidade da Anunciação do Senhor e a vocação Santos Anjos