
As águas puras do Natal continuam e precisam nos banhar e ser o motivo da nossa verdadeira alegria! É o “óleo da lâmpada” que nos fará chegar à Páscoa do Senhor!
De fato, se interrogarmos melhor a Bíblia, descobrimos que o manancial imediato da alegria é no tempo: é o agir de Deus na história. Deus que age! E no ponto onde acontece uma ação divina, produz-se como que uma vibração e uma onda de alegria que se propaga e depois por gerações. O agir de Deus é, cada vez, um milagre que enche de admiração o céu e a terra!
(Cardeal Frei Raniero Cantalamessa, OFMCap).
Assim, Natal é um acontecimento e jamais poderá ser somente uma festa passageira que acontece a cada final de ano. Mas uma manifestação de Deus que visitou o seu povo; e por isso, não se comemora, mas se experimenta vivamente a verdadeira alegria do “exulta-te”.
Sim, porque o grande experimento da rica Liturgia, jamais poderá ser compreendido como uma simples ornamentação para marcar tempos.
Mas que se une a Liturgia Celestial pelo Ministério da Igreja, de modo que o Espírito Santo possa atualizar sempre em nós o mistério da Encarnação do Filho de Deus que se tornou um de nós para a Salvação da humanidade; inclusive você e sua família.
E neste tempo em que vamos adentrando pelo início do ano, nos deparamos com a Liturgia que sabiamente nos conduz para a celebração do Batismo do Senhor.
João, batizado ainda no seio de Isabel (Lc 1, 41-42), cresce sendo instruído por seu pai Zacarias, ancorado nas profecias e tendo como forte eco no coração a voz do Arcanjo Gabriel, quando determina que esse apostolado de João incluiria “preparar pro Senhor um povo “bem disposto” (Lc1, 17) e, tendo ainda como ordenamento, o Canto do Benedictus, quando profeticamente Zacarias exclama:
“E tu menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho, para dar ao seu povo conhecer a salvação, pelo perdão dos pecados” (Lc 1, 76-77).
E essa missão de João Batista ele irá cumpri-la até a sua conclusão. E aquele que prepara alguma coisa precisa entregar, quanto mais para o Senhor! “Iniciativa e acabativa”, como diz minha esposa: é preciso começar e acabar, porque não se pode deixar as coisas pela metade, inacabadas; e mais ainda… dar um bom acabamento. E isso serve para muitos de nós!
Desta forma, aquele sobre o qual nos fala as Escrituras Sagradas e que foi convocado por Deus para preparar os caminhos do Senhor, precisava completar a sua missão. O missionário João Batista, o precursor, o “trator profético” do Espírito, que avançou com o seu testemunho de austeridade e determinação, clamando no “deserto” e convocando todo o povo ao arrependimento, inicia a sua derradeira tarefa antes do seu próprio martírio.
E a cena nos mostra então uma multidão seguindo para o rio Jordão ao encontro de João Batista para que ele pudesse ministrar o batismo de arrependimento dos pecados. E dizia em sua pregação para que não sobrasse dúvida a respeito dele próprio que afirmava não ser ele o Messias:
“Eu vos batizo com água, mas vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo” (Lc 3, 16).
Glória a Deus!
Quando todo o povo ia sendo batizado, chega também Jesus como se estivesse na “fila”, como um qualquer, logicamente sem nenhum pecado e não tinha necessidade de arrependimento, mas que se humilhou, aniquilando-se de sua condição.
À primeira vista, parece que o batismo de Jesus não tinha nenhum propósito. Imaginemos o trocar de olhares entre Jesus e João e, com certeza, João ficou desconcertado em ter que fazer o que era preciso.
Estar frente a frente com o Filho de Deus, o Messias, “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” para batizá-lo nas águas! Jesus, porém, disse: “Deixa por agora, pois convém que cumpramos a justiça completa” (Mt 3, 15). Mas o profeta é acima de tudo obediente, porque nos planos de Deus não se pode “queimar etapas”. E ao ser batizado por João a Palavra nos diz que:
“Tendo sido Jesus batizado, e estando ele a orar, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e veio do céu uma voz: Tu és o meu Filho bem-amado e em ti ponho minha afeição” (Lc 3, 21-22).
Com isso, já pronto para iniciar o seu Ministério, Deus apresenta Jesus ao povo como Messias e ele demonstra sua aprovação ao batismo de João, testemunhando a todos que era uma Graça que vinha do céu e que o arrependimento dos pecados era necessário para receber o Reino de Deus!
Não há vida espiritual sem a ação direta em nós e através de nós do Espírito Santo! Uma Igreja de tarefas caritativas e discursos moralistas é estéril e não conduz ninguém a uma conversão madura.
Todos nós necessitamos dessa experiência do batismo no Espírito Santo, porque assim diz o Senhor:
“…sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5).
Em seu testemunho, o Frei Raniero Cantalamessa, OFMCap, pregador oficial da Casa Pontifícia e hoje Cardeal da Igreja, nos diz:“
Algumas semanas depois (de ter sido batizado no Espírito Santo), rezando na cela do meu convento, tive a moção interior de Jesus que retornava do batismo no Jordão e começava a proclamar o Reino de Deus:‘ deixa tudo e vem!’ Compreendi que ele queria dizer: <<Deixa a tua cátedra na Universidade, tua direção de Departamento e te tornes um pregador itinerante da Palavra de Deus no estilo de São Francisco de Assis.>>E eu assim fiz! Três meses depois recebi do meu Superior a notícia que havia sido convidado pelo Santo Padre João Paulo II para ser o Pregador da Casa Pontifícia. Foi o Espírito Santo e a experiência carismática que fizeram deste velho professor universitário um Pregador do Evangelho.”
Por isso a Solenidade do Batismo de Jesus não é, como eu disse, apenas uma Festa Litúrgica, mas é algo espiritual que precisamos experimentar com profundidade e entrega de coração.
Portanto, deseje essa Graça para você! Abra o seu coração e toda a sua vida à Ação e o poder do Espírito Santo que em nós e através de nós, quer fazer sempre “novas todas as coisas” (Ap 21, 5).
Se o Senhor Jesus quis precisar viver essa experiência antes do início de seu Ministério, quanto mais nós que somos fracos e pecadores, precisamos ardentemente dessa Graça. Porque também sem a presença do Espírito de Deus agindo em nós, dirigindo nossa vida e santificando nossas ações e intenções não suportaremos as tribulações tão presentes em nosso tempo.
Jesus é quem batiza com o Espírito Santo e com Fogo! Por isso clamemos a Ele por essa poderosa experiência do Amor de Deus.
Vem Espírito Santo! Vem Espírito Santo!
PAULO ROBERTO B. DINIZ
Fundador e Moderador Geral da Comunidade Católica SANTOS ANJOS