
Na vivência de um carisma, o consagrado experimenta momentos bons e ruins, tempos de calmaria e tempos de muito combate espiritual. Mas o principal momento em suas vidas, que sem ele todo o caminho vocacional seria inexistente, é o exato segundo em que se deparou com o carisma de fundação.
É a experiência com o cerne do carisma que dá sentido a toda alegria vivida em comunidade, mas principalmente que fortalece nos dias de luta.
Afinal de contas, não fomos chamados a viver isolados e sozinhos, tampouco a padecer e lutar desamparados. Mas fomos chamados a ser fraternidade e a luta que vivenciamos individualmente também é a luta de toda a comunidade.
Assim, se não quisermos sucumbir em uma luta solitária, precisamos amadurecer.
O amadurecimento é o que nos garante atravessar os momentos difíceis e fugir de toda armadilha que tenta minar o nosso caminho em um carisma. É também o que nos garante ser aquilo que Deus quer.
Portanto, abaixo estão algumas dicas para que se chegue ao amadurecimento na vivência do carisma e ao êxito no combate que é propósito de todo carisma. Continue lendo!
O amadurecimento no combate espiritual na vivência de um carisma
Se tivéssemos a visão espiritual de todo o combate que enfrentamos na vivência de um carisma, certamente não sairíamos de casa. Pois, todos os dias, enfrentamos muitas armadilhas que tentam nos atingir.
Dessa forma, precisamos contar com o auxílio do céu, como por exemplo dos nossos anjos da guarda, que estão sempre ao nosso lado. Pois o demônio não quer que estejamos juntos, não se alegra com o nosso louvor e com a evangelização.E por isso, quer nos cegar a todo momento.
Mas Nossa Senhora e os anjos lançam todos os dias fechos de luz sobre nossas vidas. Peçamos constantemente a intercessão deles.
Outro auxílio poderoso em nossos combates é o santo terço terço. Todas as vezes que recorremos a Jesus, através da meditação das contas do terço, acorrentamos o mal e o amarramos à cruz de Nosso Senhor.
O amadurecimento vem com o autoconhecimento
É preciso olhar com sinceridade para si mesmo e identificar se estamos vivendo como pagão, pois temos sempre uma facilidade em encontrar os defeitos nos outros tendo um entendimento obscurecido acerca de nossos próprios pecados.
A cerca disto, a palavra de São Paulo no capítulo 4 de Efésios deve sempre nos acompanhar.
“Portanto, eis o que digo e conjuro no Senhor: não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas ideias frívolas. Têm o entendimento obscurecido.” (Ef 4, 17-18).
É necessário enxergamos que Deus nos chamou a uma comunidade para crescermos juntos e somente juntos encontraremos o caminho certo da vontade de Deus.
Por isso, ainda em Efésios 4, iremos encontrar também o ensinamento que diz:
“A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo.* (Ef 4,11-13).
Dessa maneira precisamos estar exatamente no posto que Deus nos chama a viver e servir, sendo impermeáveis às ofensas pessoais.
Ou seja, devemos amar a correção fraterna pois ela, quando bem empregada, contribui com o amadurecimento da comunidade como um todo.
Devemos olhar mais as ofensas à Igreja e a nossa comunidade do que a nós mesmos. Dessa forma, tendo o autoconhecimento acerca de seus defeitos e de seu chamado missionário específico, o consagrado contribui para o crescimento da comunidade.
É preciso amadurecer cada vez mais para melhor combater
O amadurecimento vai acontecer quando desejarmos um coração de profeta. Não somente viver daquilo que os outros falam, mas sobretudo da experiência pessoal com Deus e com sua palavra.
Por isso, um vocacionado deve sempre buscar a oração, principalmente após consagrar-se. Pois é muito comum vermos um arrefecimento logo após a consagração quando a pessoa acha que já chegou ao objetivo.
Porém, é após consagrar-se que se inicia o verdadeiro caminho e combate espiritual pela vocação.
O amadurecimento vem com a vivência fiel ao carisma
A unidade é fruto do conhecimento e fidelidade às regras de cada comunidade. Portanto, se queremos amadurecer e lutar contra a falta de unidade, devemos ter as regras de nosso carisma em nossa cabeceira.
Pois é daí que virá o caminho que preciso percorrer junto com os meus irmãos da comunidade.
Precisamos ainda, valorizar aquilo que o Senhor nos deu, alegrar-nos com cada bem recebido de Deus, seja ele físico ou espiritual.
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O amadurecimento pela vivência carismática
Precisamos fazer com que a vida carismática seja uma realidade de todos os membros da comunidade, sobretudo dos consagrados.
Pois é essa vivência carismática que nos revela o que Deus espera de cada um de nós e enquanto comunidade.
Portanto, precisamos de um encontro periódico onde possamos deixar que os carismas possam agir livremente atingindo desde os mais novos aos mais antigos.
Dessa forma, toda a ação evangelizadora precisa partir desses encontros onde o Espírito Santo possa quebrar toda inércia e elaboração exagerada de pautas. Assim as reuniões engessadas precisam dar lugar à vivência dos carismas, pois sem a vivência carismática toda obra pode chegar ao fim.
O amadurecimento gera humildade na vivência do carisma
Sem dúvidas umas das coisas que mais destrói a vivência de um carisma é a falta de humildade. É preciso que não nos tenhamos em grande conta e sempre nos surpreendamos com a ação de Deus através de nós.
Por isso, sempre que cumprimos uma tarefa, não esperemos os aplausos, mas saiamos de cena o mais rápido possível.
Se buscarmos o amadurecimento em nossa vida pessoal e na vivência de nosso carisma, o combate pode até ser árduo, mas venceremos. E venceremos juntos!