
O perdão na família é uma graça divina, por isso precisa do auxílio de Deus para que aconteça, principalmente se o motivo for grave a ponto de deixar marcas de dor profundas. Mas Deus está sempre de prontidão para nos ajudar neste assunto!
Por isso, o Papa Francisco nos diz que:
“A prática do perdão não só salva as famílias da divisão, mas as torna capazes de ajudar a sociedade a ser menos má e cruel. A Igreja, queridas famílias, está sempre próxima a vocês para ajudar a construir a suas casas sobre a rocha da qual falou Jesus”.
Então, vamos conversar sobre isso: o perdão na família, porque perdoar é uma necessidade constante para quem ama. Logo, preparamos cinco segredos que ajudarão neste processo.
Perdão na família? Mas o que é perdoar?
Na maioria das vezes, o orgulho costuma dificultar o perdão na família. Isso porque as pessoas guardam lembranças dolorosas, magoam-se por causa de palavras. E até mesmo sofrem por situações difíceis de perdoar, seja o abandono dos genitores, abusos sexuais sofridos ou problemas que causam perdas familiares.
Então, essas situações dificultam o perdão para quem pede e para quem dá! Alguns acham que perdoar é um ato de humilhação e dizem que não querem perdoar. No entanto, o perdão é um processo e não uma mágica. Observe o Evangelho:
Pedro pergunta:
“Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? E Jesus responde: “Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mt 18, 21-23).
Ou seja, o perdão não tem limites, nem é fácil de perdoar.
Muito menos é uma receita que a gente segue à risca para dar certo! Ao contrário, o perdão é um dom, que acompanha, também, uma decisão pessoal, que resulta em uma libertação total do coração. Perdão é um presente dado e recebido ao mesmo tempo.
Perdão na família é um grande aprendizado
Sabemos que perdoar não é fácil, porque já somos teimosos por natureza. E, quando se trata da nossa família, tudo ganha uma proporção ainda maior, pois ninguém dá o braço a torcer diante dos erros e desde criança que as divergências começam.
Mas a família é o sustento de nossa vida, a experiência que nos prepara para um convívio social sadio; é a escola do perdão! Logo, se não aprendemos o perdão na família, a gente anda como se estivéssemos presos por um fio de nylon invisível.
Ou seja, caminhamos, porém algo nos puxa para trás; nossas emoções ficam frágeis, não confiamos nas pessoas e nem temos maturidade nos relacionamentos, quaisquer que sejam. Então, viver o perdão na família é a saúde da alma, da mente e do corpo todo.
São comprovados casos de cura física através do perdão! Há algumas situações difíceis de perdoar, mas não são impossíveis. Por exemplo, um feminicídio. Mas a pergunta é: você vive bem sem o perdão? Veja algumas atitudes que ajudam neste processo:
Medite a Palavra de Deus para viver o perdão na família
Se o perdão na família é um dom de Deus, então a meditação da Palavra é a fonte deste conhecimento. Lembremos das passagens bíblicas que falam abertamente do perdão:
“De fato, se vocês perdoarem aos homens os males que eles fizeram, o Pai de vocês que está no céu também perdoará a vocês” (Mateus 6, 14).
“Quando vocês estiverem rezando, perdoem tudo o que tiverem contra alguém, para que o Pai de vocês que está no céu também perdoe os pecados de vocês” (Marcos 11, 25).
Então, procure meditar a Palavra e ela fará o efeito com o tempo. A meditação também nos proporciona um encontro pessoal com Cristo, com sua misericórdia e nos fortalece para viver o perdão na família.
Procure a oração
É importante dizer que perdoar não é esquecer os fatos, nem tão pouco livra alguém das consequências dos atos. E há lembranças que causam dores! E parece que o perdão familiar se torna um desafio maior, uma vez que a função da família é amar e não magoar.
Aí entra a oração como caminho de alívio dessas marcas. Quando rezamos, o Espírito Santo derrama o remédio certo na nossa ferida até que estejamos prontos para perdoar, para isso é preciso rezar sempre pelas dores do coração e por quem as causou.
Logo, a oração é um passo para o perdão, como nos diz a Palavra:
“Mas eu vos digo: Amai vossos inimigos e rezai pelos que vos perseguem” (Mateus 5,43).
Assim, dizer o nome de quem nos magoou junto com uma Ave-Maria ou Pai-Nosso libera o perdão em nós.
Pratique o perdão consigo mesmo
O perdão na família passa pelo perdão a nós mesmos! Como assim? Ora, ninguém está privado de errar ou dizer palavras que magoam! Somos falhos, limitados, nervosos e podemos perder a cabeça; isso faz parte da convivência dentro de casa.
Por isso que o perdão pessoal faz parte do processo de libertação interior. Para isso, é bom observar algumas dicas:
- Seja verdadeiro consigo mesmo, ou seja, não minta para si dizendo que perdoou e está tudo bem; respeite seus limites; reconheça seus erros e se dê o perdão! Retire os pesos desnecessários de cobranças ou perfil de perfeição.
- Pergunte a si mesmo que lição você tirou dessa situação para sua vida, procure o lado positivo. Não se trata de fazer o “jogo do contente”, mas de um erro nasce uma oportunidade de melhorar e perdoar.
- Por fim, responsabilize-se; não coloque apenas sobre o outro a obrigação de pedir perdão, mas todo adulto cristão é capaz de rever suas atitudes à luz do Evangelho e trilhar o caminho do perdão familiar.
O outro é candidato ao perdão
Sob a ótica do Evangelho, somos todos candidatos à salvação e ninguém fica de fora, nem o ladrão, nem Maria Madalena, muito menos Judas Iscariotes porque
“Quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra” (Jo 8,7).
Então, o olhar de Deus sobre mim, principalmente quando cometo um erro grave, me faz olhar para o outro de forma diferente. Pensar nisso é fundamental para criar no coração o desejo pelo perdão familiar.
Entregue-se à Providência Divina
Se você medita a Palavra, reza, faz exame de consciência e alimenta o desejo verdadeiro de viver o perdão na família, então entregue-se nas mãos de Deus, aos cuidados da Providência Divina, porque o Pai sabe o que acontece no interior do nosso coração.
E “Ele é a nossa paz, ele que de dois povos fez um só, destruindo o muro da inimizade que os separava…” ( Ef.2,14)
Então perdoar é permitir que o outro se aproxime, sem pressa, nem pressão, mas como resultado de um caminho feito com a presença de Deus.
Alcance a perfeita unidade matrimonial por meio da vida de oração! Baixe agora o E-book: A vida espiritual no casamento- 5 passos para praticá-la.