
A conversão de São Paulo é o acontecimento mais marcante na vida desse grande santo da Igreja Católica. É celebrada no dia 25 de Janeiro e foi por meio dela que se deu início a grande evangelização dos povos pagãos na Igreja primitiva.
A conversão de São Paulo traz grandes sinais para a Igreja e para todos, nos revelando o grande poder transformador da graça divina.
Dessa forma, se observarmos mais atentamente a conversão deste Santo, veremos quão grandes ensinamentos ela possui e que muito proveito podemos tirar desse acontecimento.
Continue lendo e veja o que a conversão de São Paulo tem a nos ensinar!
Deus tem um caminho de conversão para cada um de nós
No início de suas atividades, os primeiros cristãos foram muito perseguidos, inclusive por São Paulo. Assim, o primeiro martírio da Igreja vivido por Santo Estevão foi assistido por Paulo, que até então chamava-se Saulo de Tarso.
Fariseu e, portanto, grande perseguidor da Igreja, Saulo tinha seus dias contados como opositor do cristianismo, pois o Senhor tinha para ele planos de conversão.
Dessa maneira, Deus parecia atrair São Paulo para uma armadilha de amor quando transformaria para sempre a sua vida.
Ainda como Saulo, Deus poderia ter intervindo ali, no martírio de Santo Estevão, mas parecia que o Senhor aguardava o tempo certo para isso acontecer.
“Levantaram então um grande clamor, taparam os ouvidos e todos juntos se atiraram furiosos contra Estevão. Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo.” (At 7,56-58).
Somente após o grande encontro com Jesus, aquele que era perseguidor foi transformado em uma flecha afiadíssima nas mãos de Deus.
Essa flecha foi capaz de acertar grandes alvos de idolatria e devassidão a qual viviam muitos povos pagãos. Dessa forma, caíram ao chão os costumes contrários a Deus, ao passo que o cristianismo crescia a cada ano.
A salvação é graça de Deus
Ninguém é salvo pelas suas próprias mãos, como foi na vida de São Paulo, também é para nossas vidas, graça de Deus.
O Senhor deseja a nossa salvação, um passo a mais, e trabalha incansavelmente por nossa conversão, para nos salvar do sofrimento eterno. Como São Paulo afirma, ao escrever aos Efésios, na época em que era prisioneiro:
“[…] quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo – é por graça que fostes salvos! juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus, com Cristo Jesus.” (cf. Efésios 2, 5).
Isso não significa que não devemos buscar a nossa conversão diária. Logicamente que não! E, como afirma o Papa Francisco, na Homilia de Solenidade da Conversão de São Paulo: “Sem Deus, sem a sua graça, não saramos do nosso pecado. A sua graça é a fonte da nossa mudança”.
Contudo, devemos acreditar que Deus não desiste de nenhum de nós e nem daqueles que amamos, ainda que seja a pior pessoa do mundo.
Deus aproveita de nossas circunstâncias
Quando lemos acerca de quem era São Paulo, encontramos a seguinte descrição feita por ele mesmo:
“No entanto, eu poderia confiar também na carne. Se há quem julgue ter motivos humanos para se gloriar, maiores os possuo eu: circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu e filho de hebreus. Quanto à Lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça legal, declaradamente irrepreensível.” (Fl 3,5-6).
Dessa forma, percebemos que Deus se utiliza de todos os talentos que Paulo tinha antes de sua conversão e os transforma em instrumentos de evangelização.
É também, de certa forma, o embate com São Paulo, enquanto perseguidor, que fez com que os primeiros cristãos fossem forjados na fortaleza até às últimas consequências. Assim, toda a dureza de São Paulo indiretamente ajudava a treinar os primeiros Cristãos.
Após a sua conversão, Deus se utiliza de toda a bagagem intelectual e capacidades argumentativas de Paulo para a evangelização dos quatro cantos do mundo. São Paulo se torna, pela graça de Deus, o maior evangelizador de todos os tempos.
Então, até mesmo as nossas faltas quando colocadas sob a luz divina, são convertidas em testemunho para a maior glória de Deus.
A verdadeira conversão é fruto de um encontro com Jesus
São Paulo deparava-se constantemente com os cristãos e até mesmo os ouvia falar. Mas parecia mesmo estar cego e surdo, pois a mensagem do evangelho, que é verdade, não penetrava em seu coração.
Somente após Jesus ter aparecido em sua vida, tudo, absolutamente tudo, como a transformação da água em vinho, sem medo, ele diz sim a Deus!
Sendo assim, não há conversão sem o toque de Cristo, não há palavra que converta sem o auxílio da graça. Enfim, absolutamente, toda conversão é obra divina.
A conversão nos possibilita ver as coisas com um novo olhar
Na origem da criação, o homem e a mulher, em perfeita união com Deus, enxergavam as coisas na sua essência, ou seja, como de fato elas são.
Somente após o pecado original, a imagem das coisas volta para o homem de forma distorcida, quase deturpada.
Assim era a visão de São Paulo. O apóstolo dos gentios tudo enxergava de forma distorcida e confusa. Após a sua conversão, passa a enxergar a graça divina presente em sua vida e na vida da Igreja nascente.
Portanto, de perseguidor passou a ser amante de Cristo; de assassino, passou a colaborador, formador e, por fim, mártir da Igreja de nosso Senhor. Analogamente, devemos nós também buscar uma conversão diária, livrando-nos do pecado e da ignorância.
Como São Paulo, conquistando dia a dia a graça de ver Deus, e, como ele disse:
“Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido.” ( I Cor 13,12).
São Paulo, rogai por nós!