
“A vida consagrada, profundamente arraigada nos exemplos e ensinamentos de Cristo Senhor, é um dom de Deus Pai à sua Igreja, por meio do Espírito”. Da vida religiosa até as Novas Comunidades na Igreja, há um sopro do Espírito para a humanidade em cada tempo.
Sempre e de diversas formas, Deus responde às inquietações da humanidade, através da doação de vida de homens e mulheres, inspirados pelo evangelho. Isso comprova a preocupação divina com a história, e a possibilidade que o evangelho tem em responder a tantas necessidades.
Com efeito, existe a vida consagrada. Ela é uma resposta ao chamado de Deus que tem em Jesus Cristo seu modelo de consagração. Da mesma forma, a vida consagrada testemunho o amor a Deus e à humanidade através da entrega da vida.
Porém, cada tempo tem sua exigência, sua história e o ser humano se adequa a cada realidade, sem perder sua essência. Dessa forma acontece, também, com a Igreja. Ela abre as portas para novas iniciativas que testemunhem Jesus, sem desvirtuar sua mensagem.
Por isso o surgimento das Novas Comunidades na Igreja. Uma nova forma de vida consagrada com a presença dos leigos, casais, sacerdotes e celibatários juntos, em uma mesma Instituição, atraídos por Cristo e servindo à humanidade através de um carisma.
Mas o que são as Novas Comunidades na Igreja? O que elas têm com a vida consagrada e de que forma colaboram com a missão de santificar o mundo? É sobre essas perguntas que vamos conversar neste post.
Vida Consagrada na Igreja
O Concílio Vaticano II, ao tratar da vida consagrada, diz: “O estado (de vida consagrada) constituído pelos conselhos evangélicos, embora não pertença à estrutura hierárquica da Igreja, está, contudo, firmemente relacionado com sua vida e santidade” (LG, 44).
Ora, vocação é chamado de Deus e a vida consagrada é uma das modalidades de responder a esse chamado, aqueles que a abraçam são “dóceis ao chamamento do Pai e à moção do Espírito,” e escolheram se entregar a Ele de coração indiviso.
A história da vida consagrada é milenar. Ela tem diversas expressões: a vida monástica, a Ordem das virgens, os eremitas, os Institutos contemplativos, a vida religiosa apostólica, os Institutos seculares, as Sociedades de Vida Apostólica e as viúvas consagradas.
Portanto, os consagrados são aqueles que deixaram tudo, assim como os apóstolos, abraçaram os votos de pobreza, castidade e obediência, junto com o celibato e entraram em uma Ordem, Congregação ou Instituto Religioso para viverem um carisma.
Logo, os religiosos são grandes colaboradores na missão da Igreja e manifestam o mistério de Cristo em suas vidas, graças a contribuição dos carismas, da vida espiritual e apostólica que eles testemunham.
Além de que ajudam a renovar a sociedade onde quer que estejam. “A primeira tarefa da vida consagrada é tornar visíveis as maravilhas que Deus realiza na frágil humanidade das pessoas chamadas.” (VC20). É enorme o testemunho dos religiosos ao longo de séculos.
História das Novas Comunidades na Igreja
É São João Paulo II quem primeiro se refere às Novas Comunidades em um texto oficial: “A perene juventude da Igreja continua a manifestar-se também hoje: nos últimos decênios, depois do Concílio Ecuménico Vaticano II, apareceram formas novas ou renovadas de vida consagrada”
E Foi exatamente o Concílio Vaticano II o grande evento que abriu as portas da Igreja para novas expressões de vida consagrada e movimentos eclesiais. Diante das mudanças do mundo, o Espírito Santo nunca fica em silêncio.
Sobre o Concílio…
Disse São João XXIII em dezembro de 1961, que o Concílio Vaticano II foi convocado para:
“oferecer uma possibilidade de suscitar, em todos os homens, pensamentos e propósitos de paz: provenientes das realidades espirituais e sobrenaturais da inteligência e da consciência humana, iluminadas e guiadas por Deus, criador e redentor da humanidade”.
Na década de sessenta, o mundo estava mergulhado em uma grande crise moral, de ateísmo, rivalidades, materialismo, pobreza, corrupção. As pessoas estavam, cada dia mais, distantes de Deus e a Igreja chamou para si a responsabilidade de fazer algo que respondesse a tantas inquietações existenciais e de fé.
Logo, o Concílio foi um sopro do Espírito Santo para a Igreja no momento oportuno que deixou inúmeros documentos e frutos incontáveis que são percebidos até hoje. Após 50 anos desse acontecimento, ainda estamos sob suas graças e efeitos.
Neste contexto, nasceram os movimentos eclesiais e as novas comunidades.
Vale a pena destacar a RCC – Renovação Carismática Católica, nascida em 1967, na cidade de Pittsburgh, Pensylvania, EUA, como uma grande expressão de espiritualidade que proporcionou o retorno de muitas pessoas à Igreja e inspirou novos carisma.
E as primeiras Novas Comunidades datam da década de 70, na França e nos EUA; já no Brasil, elas surgiram nos anos 80.
Agora, o que são as Novas Comunidades na Igreja
As Novas Comunidades são novas fundações que vivem uma consagração de vida no mundo. Sem substituir, nem imitar a vida consagrada na igreja, tal qual ela é, desde o início do século cristão, como explicamos antes.
Entretanto foi são João Paulo II quem descreveu as novas fundações no Documento sobre a vida consagrada:
“A originalidade destas novas comunidades consiste frequentemente no facto de se tratar de grupos compostos de homens e mulheres, de clérigos e leigos, de casados e solteiros, que seguem um estilo particular de vida, inspirado às vezes numa ou noutra forma tradicional ou adaptado às exigências da sociedade actual.
Também o seu compromisso de vida evangélica se exprime em formas diversas, manifestando-se, como tendência geral, uma intensa aspiração à vida comunitária, à pobreza e à oração. No governo, participam clérigos e leigos, segundo as respectivas competências, e o fim apostólico vai ao encontro das solicitações da nova evangelização.”
Ou seja, as Comunidades Novas trazem um novo estilo de vida consagrada a Deus, com a presença de leigos, casais e sacerdotes. Elas têm um carisma que as distingue das demais famílias religiosas; possuem uma intensa vida de oração e um renovado ardor missionário.
Logo, alcançam muitas realidades distantes da Igreja, vão às periferias da existência humana e respondem aos questionamento do mundo hoje, porque estão em muitas realidades de trabalho e pobreza social.
Sendo assim, elas contribuem, como todas as inspirações do Espírito que permanecem até hoje, para tornar Cristo amado e conhecido. As Novas Comunidades são um meio de encontrar o amor de Deus e respondê-lo doando a própria vida em favor de muitos.
Novas Comunidades – uma Nova Primavera na Igreja
Há muitas Comunidades Novas no Brasil. O país é um verdadeiro celeiro de vocações e a Igreja tem acompanhado, com os organismos competentes, o desabrochar dessas realidades.
Entre elas, encontramos a Comunidade Santos Anjos, fundada no bairro de Itaipu, na região oceânica de Niterói-RJ, no dia 17 de julho de 1993. Revelar ao mundo o Rosto do Cristo Acolhedor é o Carisma dessa Nova Comunidade
Para isso, ela realiza o serviço da Evangelização, da Formação Cristã e da Promoção Integral da pessoa Humana. E anuncia, com a consagração de vida, que vale a pena ser de Deus inteiramente.
Portanto, a Comunidade Santos Anjos faz parte dessa nova primavera na Igreja e como disse o Papa Francisco: “um sinal claro da vitalidade da Igreja: vocês são uma força missionária e uma presença profética que nos dá esperança para o futuro.”
Um casal consagrado a Deus – Confira