
É no altar do Senhor que nasce uma nova família por meio da celebração do matrimônio. Sendo assim, essa família passa a ter uma missão muito particular, instituída ainda no momento da cerimônia de casamento. Trata-se da transmissão da fé para os filhos, ou seja, a educação deles em uma vida marcada pela presença de Deus.
Neste texto, apresentaremos algumas dicas que os pais podem utilizar na transmissão da fé para os filhos. Contudo, essas dicas são inspiradas em orientações do Santo Padre e também em documentos da Igreja sobre o assunto.
Por isso, vale a pena ficar atento em cada dica, já que os pais são os principais educadores dos filhos quando o assunto é fé e espiritualidade.
Educar os filhos e fazê-los cristãos
Na Exortação Apostólica Amoris Laetitia, papa Francisco recorda que “a Igreja é chamada a colaborar, com uma ação pastoral adequada, para que os próprios pais possam cumprir a sua missão educativa; e sempre o deve fazer, ajudando-os a valorizar a sua função específica e a reconhecer que quantos recebem o sacramento do matrimônio são transformados em verdadeiros ministros educativos, pois, quando formam os seus filhos, edificam a Igreja e, fazendo-o, aceitam uma vocação que Deus lhes propõe” (Amoris Laetitia, nº 85).
A Igreja motiva ainda os pais a saberem onde andam os seus filhos, a compreenderem as suas necessidades e ajudá-los a vencer possíveis desafios que se apresentem ao longo de suas vidas. Nem o esposo e nem a esposa podem renunciar o papel paterno e materno.
Os dois precisam trabalhar juntos com o mesmo objetivo: transmitir a fé para os filhos, a fé que eles receberam dos seus pais e da Igreja. Muitos são os percalços que podem surgir, porém vale ressaltar que a Igreja permanece presente animando e apoiando cada casal em sua missão.
Ainda sobre o assunto, escreveu o pontífice
“A educação dos filhos deve estar marcada por um percurso de transmissão da fé, que se vê dificultado pelo estilo de vida atual, pelos horários de trabalho, pela complexidade do mundo atual, onde muitos têm um ritmo frenético para poder sobreviver. Apesar disso, a família deve continuar a ser lugar onde se ensina a perceber as razões e a beleza da fé, a rezar e a servir o próximo.
Isto começa no Batismo, onde – como dizia Santo Agostinho – as mães que levam os seus filhos cooperam no parto santo. Depois tem início o percurso de crescimento desta vida nova. A fé é dom de Deus, recebido no Batismo, e não o resultado duma ação humana; mas os pais são instrumentos de Deus para a sua maturação e desenvolvimento.
Por isso, é bonito quando as mães ensinam os filhos pequenos a enviar um beijo a Jesus ou a Nossa Senhora. Quanta ternura há nisto! Naquele momento, o coração das crianças transforma-se em lugar de oração. A transmissão da fé pressupõe que os pais vivam a experiência real de confiar em Deus, de O procurar, de precisar d’Ele, porque só assim cada geração contará à seguinte o louvor das obras [de Deus] e todos proclamarão as [Suas] proezas (Sl 145/144, 4) e o pai dará a conhecer aos seus filhos a [Sua] fidelidade (Is 38, 19)” (Amoris Laetitia, nº 287).
Dicas para a transmissão da fé para os filhos
Reunimos algumas dicas que podem ajudar na transmissão da fé para os filhos. Contudo, é importante transmitir a fé para os filhos em fases. Não podemos falar sobre a fé da mesma forma para crianças de 3 e 12 anos. Cada um tem uma forma de entendimento do mundo diferente.
Entretanto, a dinâmica de inserção na vivência eclesial é importante em todas as idades. Isso porque quanto mais cedo a criança entender e se adaptar à vida na Igreja, mais rapidamente ela compreenderá a importância dessa vivência na sua caminhada de fé.
Até 3 anos
Por exemplo, para crianças de 0 a 3 anos de idade, a dica é apresentar Jesus, Maria e os santos de forma lúdica. Como mencionou o papa, a relação da criança com Jesus precisa ser simples. Soltar um beijo para Jesus já pode ser uma forma de oração, de relação com o Senhor.
Outra dica é inserir a vida de oração na rotina dessa criança ao acordar e ao dormir, sempre de um jeito bem descomplicado. Um “bom dia” e uma “boa noite” para Jesus já lançará sementes de eternidade no coração dessa criança.
Até 6 anos
Para aqueles crianças que têm de 3 a 6 anos, a dica é motivá-las a expressar seus sentimentos para Jesus, ajudando a fazer até mesmo a sua oração vocal. O sinal da cruz e a reverência ao crucifixo participem no dia a dia dessas crianças.
Dessa forma, ela vai perceber também de uma maneira mais abrangente o significado da Santa Missa, da Palavra de Deus e do Santo Terço.
Até 10 anos
Já a dica para transmissão da fé para os filhos de 6 a 10 anos é, na verdade, um conjunto de ações que os pais podem planejar juntos. Contudo, elas precisam também ser permeadas pela oração.
Entre as ações, estão escolher uma boa escola, buscar fontes para consolidar a formação religiosa, inserir o filho na preparação para a primeira comunhão e para a confissão… Tudo isso com constante acompanhamento.
Muitas vezes, o risco é tentar transferir essa missão de educar na fé para alguém ou alguma instituição. Contudo, não se pode relaxar. É papel dos pais acompanhar os filhos nesse processo.
Até 12 anos
Também há dicas para as crianças de 10 a 12 anos. Nessa fase, é interessante que os pais motivem os filhos a viver com piedade e a exercitar as virtudes – especialmente a da caridade. Nesse período os pais consolidam as bases lançadas desde o início do processo educativo.
A criança precisa se sentir segura e confiante para partilhar sua vida em família. E os pais seguem ensinando aos filhos valores baseados na fé que professam, como a verdade, boas amizades, a beleza de ajudar os outros e por aí vai…
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