
Dos 7 dons do Espírito Santo que estamos meditando, o dom do temor de Deus é o que mais nos conduz à fidelidade.
Sem esse dom tão importante, o cristão tende a cair de forma recorrente no pecado, e não consegue olhar para o Senhor com contrição, mas, sim, com receio.
Ao contrário do que muitos pensam, o temor de Deus não se trata de ter receio ou medo de Deus. Trata-se de honrar e de ser grato por Sua Divina bondade.
Quer entender mais sobre esse dom? Continue lendo.
O temor de Deus não é ter medo
Embora a palavra temor esteja muito relacionada a uma sensação de medo e pavor, não é disso que se trata este dom do Espírito Santo.
O temor de Deus nos traz um sentimento nobre, a gratidão! Através do dom do temor, somos gratos a Deus por seu amor e misericórdia que se inclinam sobre nós. Então, o que significa este dom?
Assim nos afirma a Igreja, na AUDIÊNCIA GERAL, em 11 de Junho de 2014, que o temor é
“O abandono à bondade do nosso Pai, que nos ama imensamente”.
Dessa forma, ao reconhecer esse amor, nos afastamos de tudo aquilo que fere essa paternal relação de Deus.
É através do temor, que reconhecemos a majestade de Deus e a sua grandeza sobre tudo aquilo que existe.
Mediante esta certeza, da grandeza de Deus e de sua bondade, buscamos, por meio do dom do temor de Deus, não ofendê-lo e nem desrespeitá-lo. Em busca da perfeição cristã, numa vida repleta de virtudes.
Sendo assim, todo aquele que possui o dom do temor realiza a vontade divina não por obrigação ou medo, mas por reverência e amor.
Como o temor de Deus age em nós?
Esse dom magnífico de Deus atua em nós como um alerta, impondo sobre nossas más inclinações limites que nos fazem vigilantes diante do mal.
É o temor de Deus que nos faz permanecer na vontade de Deus, porém não como pessoas cativas, mas, sim, livres para escolher pelo bem.
Dessa forma, sabendo que a vontade de Deus é perfeita, e é nela que vivemos com segurança, temos a força para renunciar tudo aquilo que é mal.
“O dom do temor de Deus não faz de nós cristãos tímidos e remissivos, mas gera em nós coragem e força!” (Audiência Geral, Quarta-feira, 11 de Junho de 2014).
A grande graça desse dom, é perceber que Deus ama e cuida, de cada um de nós como filhos, e é por este motivo que devemos temê-lo!
Pois o que garante a obediência e a docilidade de um filho para com o seu pai é a confiança em seu amor. E isso nós podemos ter acerca de Deus, pois Ele, por sua paternidade divina, nos ama incondicionalmente.
Firmando a nossa esperança
Os sete dons do Espírito Santo, recebidos no sacramento do batismo, ajudam para a santificação da nossa alma.
Pensando nisso, o dom infuso do temor faz com que o cristão tenha uma relação filial para com Deus, provocando no homem o desejo de unir-se mais perfeitamente a Deus e de fugir de tudo o que possa ofendê-Lo.
O temor a Deus tem a ver com a vontade da alma humana, ou seja, este dom aperfeiçoa a virtude da esperança, porque nos faz temer desagradar a Deus e nos separarmos dele. E, também, eleva a virtude da temperança.
Então, o dom do temor age inclinando a nossa vontade para respeitar a Deus e afastar-nos do pecado. Principalmente, porque o pecado é o que desagrada e afasta nosso coração de Deus.
Logo, é este dom que torna firme nossa esperança no poderoso auxílio do Senhor.
Como cultivar esse dom
Para cultivar o dom do temor de Deus, é necessária a prática frequente da meditação, que tem por finalidade contemplar o próprio Sumo Bem.
Como assim? Devemos nos colocar com muita atenção diante da presença do Senhor, em nosso coração, e permanecer nesse movimento da alma. Para que possamos ver e conhecer a grandeza Dele, que é manifesto na Sua infinita bondade, misericórdia e muitos outros dos seus atributos.
Pois Ele quer que nos tornemos seus amigos, mas não devemos confundir essa relação com o Senhor. Ele está acima de todas as coisas e, para Ele, tudo foi feito!
“Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, dominações, principados, potestades: tudo foi criado por ele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem nele.” (Colossenses 1, 6-7).
Ora, é para que nos tornemos mais íntimos e que, cada vez mais, conheçamos quem Ele é que devemos cultivar o temor de Deus. Além disso, esse dom não nos deixa esquecer do pecado e de suas consequências, que ofende a Deus e nos aparta Dele.
Então, busquemos por uma constante vida de oração e uma vida submissa à vontade do Pai, pois, esse dom nos enche de esperança rumo à salvação eterna.
Portanto, unindo a vida de oração à prática da meditação, o dom do temor permite que todos os homens se deleitem de uma verdadeira vida virtuosa.
Descubra aqui se existe diferença entre o dom e virtude da Fortaleza