
A Quaresma é um tempo de graça, porque nos prepara para a celebração da Páscoa do Senhor, centro de toda a fé cristã. Se Cristo não tivesse ressuscitado, vã seria nossa fé, diz São Paulo.
Por isso que o tempo quaresmal é cheio de detalhes, de exigências, de orientações preparadas pela Igreja para que alcancemos a meta e sejamos novos cristãos durante o ano todo. Porém, as orientações não são imposições, nem servem para causar medo.
Ora, Santa Teresa sabiamente disse que se pudesse colocaria fogo no céu e jogaria água no inferno para que ninguém amasse a Deus por medo. Da mesma forma, precisamos derrubar alguns mitos sobre a quaresma e defender as verdades. Leia sobre isso agora:
Quaresma é um tempo de preparação!
Todos se preparam para grandes acontecimentos. Por exemplo, a universidade passa de quatro a cinco anos formando um profissional, e o estudante passa o mesmo tempo programando a colação de grau com todas as cerimônias.
Logo, como nos prepararmos para a celebração do acontecimento que pagou o preço do nosso resgate? De que forma vamos chegar ao Tríduo Pascal – três dias de uma mMissa única, que encerra com a Vigília Pascal – e sair ressuscitados?
Tudo isso para reforçar a importância da qQuaresma e seus preparativos para a Páscoa. Não há como fazer diferente, uma vez que somos cristãos por causa da salvação recebida na Cruz pela entrega total de Cristo por nós.
De forma que a qQuaresma é um tempo, um caminho e não o fim, mas se não fizermos o percurso direito, vamos nos perder. E Deus não deseja que seus filhos se percam, por isso, todo ano, temos a oportunidade de retornar à casa do coração do Pai do Céu.
Quaresma é a oportunidade de conversão
O salmo 50 diz:
“Ó meu Deus, criai em mim um coração puro, e renovai-me o espírito de firmeza.
De vossa face não me rejeiteis, e nem me priveis de vosso santo Espírito.
Restitui-me a alegria da salvação, e sustentai-me com uma vontade generosa.”
Nesta oração o salmista encontra o objetivo das propostas quaresmais: um coração puro, um espírito renovado, firme e a alegria da salvação. Para contemplar essas mudanças na vida, é preciso trabalhar na conversão da vida por inteiro.
Dessa forma, a oração, o jejum e a caridade são meios de limpar o coração de tudo que acumulamos e ocupa o espaço de Deus. Por isso as práticas da quaresma são concretas, realistas e, por amor a Deus, livres de superstições e obrigações.
Se houver medo, não há amor, então ninguém se converte por obrigação, ou para fugir do castigo, ou para fazer comércio com Deus (faço jejum e o Senhor me dá algo). Mas a conversão é uma decisão do coração que ama e se arrepende por magoar Alguém.
Mitos do tempo quaresmal
Os mitos são histórias inventadas pelo povo, em um tempo, por algum motivo. Veja bem: quem nunca foi ameaçado na escola com a história da mulher do algodão no banheiro? Ou ouviu dizer que manga com leite faz mal! É assim que um mito funciona.
Logo no início da Igreja, com a ausência de sacerdotes para as celebrações pascais, o povo se preparava como podia, ou seja, se virava. Havia alguns costumes bonitos que sustentaram a fé do povo durante muito tempo e outros que não serviam para nada.
Por exemplo, os idosos contam que, na noite do sábado de aleluia, eles reuniam as crianças, limpas e bem vestidas, com trajes de festa, em torno de uma bacia de água, acendiam uma vela, rezavam o Pai– Nosso; cada um molhava as mãos e passava no rosto.
Então, esse gesto era a páscoa do Senhor. O banho tirava os pecados, a roupa nova era a vida nova e a água no rosto, a renovação do batismo. Que bonito e que simplicidade. Depois começava a festa com muita alegria e comida à vontade. Isso servia para a fé.
Outros comportamentos não serviam para nada!
Por causa da força da quaresma, muita gente se aproveitou para colocar medo nos outros. Agora vamos citar alguns mitos que não serviam para converter ninguém:
- Dizer que quaresma é tempo de bruxas e lobisomens;
- Sair falando que as almas penadas estão soltas;
- Espalhar o medo dizendo que diabo estava solto para fazer o que quisesse;
- Que o Saci era pior que o demônio e que iria pegar todo mundo;
Agora, a Sexta-Feira da Paixão foi o dia que mais sofreu com os mitos! Veja se você se identifica com algum desses, na sexta santa não pode:
- Tomar banho e nem lavar roupa;
- Varrer a casa;
- Jogar bola, nem brincar na rua;
- Assistir a televisão;
- Nem podia brigar, nem apanhar.
Porque tudo isso dava azar e se pagava com castigo a vida toda. Mas ainda há outros mitos piores. Se na sexta-feira, as mães não batiam nas crianças, no sábado de aleluia, o dia mais importante, elas tinham permissão para bater!
Graças a Deus, o tempo passou!
Com certeza, você se divertiu com esses mitos sobre a qQuaresma. Graças a Deus que os tempos são outros. No entanto, corremos o risco de substituir os mitos por penitências vazias, por isso: cuidado!
O tempo da Quaresma acontece no coração de quem abraça os propósitos diante de Deus com sinceridade. Não adianta passar quarenta dias sem fumar, sem jogar ou tirar qualquer vício se, no primeiro domingo de páscoa, for a primeira coisa que se faça.
Aí trocamos um pelo outro. Não temos os mitos e nem as intenções verdadeiras de mudar de vida. Por isso, o maior fruto da Quaresma é alcançar um coração livre diante de Deus, isso não tem preço, mas exige esforço e sacrifício, o mesmo que Deus fez por todos nós.
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