
A Liturgia da Igreja é uma verdadeira riqueza! O ano litúrgico acontece de maneira cíclica e está dividido em Tempo Comum, Advento, Natal, Quaresma e Páscoa.
O calendário litúrgico nos apresenta diferentes momentos para nos aprofundarmos na vida de Cristo e atualizarmos, assim, os mistérios da redenção em nossas vidas.
Sendo assim, um dos períodos mais longos do ano litúrgico é o tempo comum. São 33 ou 34 semanas ao todo. Ele é distribuído em dois períodos ao ano.
Mas não é porque esse tempo é chamado de comum que não seja um período rico na liturgia. Por isso, preparamos este post, para que você conheça e viva melhor o Tempo Comum na Igreja.
Tempo Comum dentro do ano litúrgico
O ano litúrgico na Igreja tem por finalidade revelar os mistérios da vida de Cristo no decorrer do ano.
Assim também acontece no Tempo comum. Como dissemos anteriormente, o tempo comum está dividido em dois períodos.
O primeiro período deles começa logo depois da festa de Batismo do Senhor em janeiro e vai até a terça, antes da quarta-feira de cinzas em fevereiro ou março.
Logo após, começamos a viver na Igreja, o período da Quaresma, que são cerca de 40 dias de um profundo chamado a conversão, jejum e penitência.
Quando a quaresma chega ao fim, iniciamos o tempo de Páscoa, que dura 50 dias. A Páscoa é o tempo mais importante do ano litúrgico e todo o calendário cristão gira em torno deste período. Após a Páscoa, acontece a festa de Pentecostes. A razão desse nome está no
período de duração dessa celebração: cinquenta dias após o domingo de Páscoa. Foram estes os dias em que os discípulos permaneceram no cenáculo até a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes.
Logo após a segunda-feira depois de Pentecostes, inicia-se a segunda parte do tempo comum, que vai até o Advento, quando iniciamos um novo ano litúrgico.
Tempo Comum, mas não menos importante
O Dicionário de Liturgia nos esclarece:
“O ano litúrgico não é uma ideia, mas é uma pessoa, Jesus Cristo e seu mistério realizado no tempo e que hoje a Igreja celebra sacramentalmente como ‘memória’, ‘presença’, ‘profecia’”
O tempo comum carrega esse nome para distinguir dos demais momentos que vivemos da vida de Cristo na Liturgia.
Se olharmos, o tempo comum, ele não é tão comum assim, pois exige de todos os cristãos uma busca intensa da espiritualidade.
Durante todo o tempo comum, as leituras bíblicas na liturgia nos convidam a olharmos para os acontecimentos e para a vida de Jesus e refletirmos Sua vivência sobre a nossa própria vida quotidiana.
Assim, gota a gota, recebemos, através do evangelho, o mistério de Cristo. Não são semanas sem conteúdo, como que vazias. Ao contrário, celebramos a normalidade evangélica das palavras de Jesus, de seus gestos e seus ensinamentos
Mesmo sendo um “tempo comum”, ele pode nos trazer grandes surpresas e novidades de Deus, ainda mais se olhamos para a vida de Cristo e aprendemos a valorizar o tempo presente.
Viver bem o tempo comum significa viver intensamente a fé em meio aos afazeres do dia a dia.
Pois, a espiritualidade, deste período, tem por finalidade ajudar as pessoas a se encontrarem com Cristo em seu cotidiano.
Símbolos do tempo comum
Cada tempo litúrgico dentro da Igreja possui características e símbolos próprios.
Logo, o sinal mais notável do tempo comum é a cor verde nos paramentos litúrgicos. Neste caso, o verde nos convida a atenção e a esperança.
Na primeira parte do tempo comum, os evangelhos nos apresentam o início da vida pública de Jesus, Suas primeiras pregações, e o Anúncio do Reino.
Já na segunda parte, nos deparamos mais com o chamado para a vivência concreta do Reino e para revermos tudo que Jesus Cristo disse e fez para nossa salvação. Assim Jesus não veio fazer cristãos, mas “cristos”, construtores do Reinos dos Céus, sal da terra e luz do mundo.
Anos A, B e C
A liturgia da Igreja Católica, de maneira muito pedagógica, divide todas as leituras bíblicas em 3 anos litúrgicos, que são simbolizados por letras e com as suas leituras próprias dos evangelhos.
Por exemplo, neste ano de 2023, estamos vivenciando as leituras do ano “A”, em que o evangelho dominical é principalmente o de São Mateus.
Assim, seguindo a sequência, no ano de 2024, vamos acompanhar as leituras do ano “B”, que nos remete ao Evangelho de São Marcos, em 2025 serão as leituras do ano “C” do Evangelho de São Lucas. Já o Evangelho de São João, é proclamado somente em ocasiões especiais, isto é, festas e solenidades.
As leituras bíblicas são organizadas dessa maneira para narrar a vida de Jesus. Se você acompanhar assiduamente os três ciclos litúrgicos (A, B e C), em três anos, estará meditando quase todas as leituras que narram a história da salvação.
Por fim..
Toda a beleza da liturgia e dos ritos de nossas celebrações não tem por finalidade viver somente um gestual externo, sem adentrar na profundidade da oração. Mas devemos observar e ficar com o essencial do rito, que é o Mistério de Cristo e sua salvação.
Assim, que o Tempo Comum nos proporcione uma reflexão mais profunda sobre as coisas mais ordinárias do dia-a-dia, levando-nos a descobrir e a viver os acontecimentos da vida de Cristo, antes de tudo, em nós mesmos.